Sábado, 29 de Dezembro de 2007

O guarda-roupa das gajas e o anúncio da Neo Blanc

Hoje quando me vestia, reparei que a camisola que tinha escolhido estava a começar a perder a cor. Normal, pensei eu, afinal ando muitas vezes com ela e a roupa vai-se gastando. Depois, lembrei-me de um reclame da Neo Blanc em que uma jovem dos seus trinta e poucos anos se queixava do mesmo problema que eu à Avozinha Neo Blanc (para quem não sabe, é aquela velhinha com um ar muito bondos e simpático que passa a vida a impingir lixívia a toda a famlía). Nesse reclame, a desgraçada da jovem, tal como eu, via uma camisola vermelha a tornar-se vermelho-baço. Vai daí, a avozinha saca de um frasco de lixívia da carteira que protege as cores e que a salva de tamanho flagelo.
À partida tudo bem: jovem com camisola estragada, velhinha com lixívia salva camisola. Nada mais errado!
O problema é a base do reclame: uma gaja a queixar-se que a camisola que tanto gosta está a perder a cor. Isto simplesmente não acontece no mundo real, o que torna à partida uma farsa todo o restante anuncío. E não acontece porque toda a gente sabe que as gajas tem pelo menos dois armários em casa cheio de baixo até acima com roupa de todas cores e feitios possíveis. O tempo que medeia entre usar a primeira peça que lá está até à última faz com que quando volte a ser necessário repetir a primeira peça ela já esteja fora de moda. Obviamente que para evitar tal desgraça já o stock foi renovado pelo menos três vezes entretanto. Por isso, uma peça de vestuário feminino que tenha mais de três a quatro utilizações é um verdadeiro achado. Peças com três ou quatro utilizações, não perdem as cores!
Portanto, se os senhores da Neo Blanc querem começar a ter um bocadinho de credibilidade então que comecem a tomar atenção a estas faltas... Fica o aviso.

Domingo, 23 de Dezembro de 2007

A profissão que decididamente não lembra nem mesmo ao Menino Jesus

Quem leu o último texto que aqui publiquei, certamente terá reparado que comecei por anunciar que ia falar daquela que considero a profissão mais parva do mundo bem como daquela que não chegando ao nível dessa coisa estranha tem igualmente um reconhecido grao de parvoíce pelo que levou uma merecida menção honrosa. Como me acabei por alongar um bocado a divagar sobre os árbitros de bilhar e porque afinal este tema é meredor de um post só para ele, guardei então para aqui a revelação daquela que é, indubitavelmente, a profissão mais parva e desinteressante do mundo. Falo, como os mais atentos já terão certamente descoberto, de ser Professor de Estatística. Vamos lá ver: um árbitro de bilhar se calhar até é um antigo jogador da dita arte que após se retirar achou que devia fazer o sacrifício de arbitrar aquilo para que a tradição possa prosseguir. É um sacrificado, portanto. Já alguém quem envereda pelo maravilhoso mundo da estatística é alguém que frequentou uma faculdade para isso, envolve uma escolha ponderada. Teve vários anos para pensar no que estava a fazer e desistir. Depois de passar toda essa fase e ainda assim ter ido até ao fim e tendo adquiridos os conhecimentos então guarde-os para si!!! Façam uma sondagem numa aula de Estatística Industrial e adivinhem quantas pessoas estão ali porque acham fascinante a ciência que lhes estão a transmitir... nenhuma, obviamente!!! Quem está ali fá-lo porque há faltas e quer ir a exame para fazer a cadeira! É que aquilo não interessa a ninguém! Nem ao dito Menino Jesus. Acham que quando ele foi discutir ciência e pregar com os grandes pensadores da época no templo que alguém naquela sala discutiu estatística? Claro que não! Ouço um professor de estatística (os meus pêsames, desde já) desse lado a resmungar entre-dentes "ah, sua besta! Tu dizes isso porque tiraste 4 na frequência!!!" ao que eu tenho apenas a dizer que não tem nada a ver. Desde o momento em que me sentei lá no fundo da sala na primeira aula teórica e vi o primeiro slide da matéria que me perguntei "mas isto é suposto servir para quê?". É que reparem: eu imagino um puto a ver as pessoas doentes e a morrer e pensar "quando for grande vou ser médico ou enfermeiro e vou salvar esta gente toda", consigo ver um puto a olhar para o Estádio Alvalade XXI e a pensar "quando for grande vou ser arquitecto e vou mostrar a esta gente como distinguir um estádio de uma casa-de-banho", consigo imaginar um puto a babar-se para um Porsche ou um Ferrari e a pensar "quando for grande vou ser Engenheiro Mecânico e fazer uma coisa destas a andar a ar e vento!", não consigo imaginar um puto a ver a Taça do Mundo de bilhar na Eurosport e a pensar "quando for grande quero ser árbitro desta coisa" mas já consigo imaginar mais um puto a ler o seu "Primeiro Atlas" e a aprender montes de coisas giras e a pensar com os seus botões "quando for grande quero ser professor e ensinar a resmas de putos como eu". Mas o que eu não consigo mesmo imaginar é, seja quem for, puto ou graúdo, a acordar um dia, olhar-se ao espelho, e pensar para si "eia, tantas riscas que esta camisa tem... um dia hei-de calcular a média, a moda e a mediana das riscas que tenho, fazer o desvio padrão e calcular uma distribuição binomial do número e tipo de riscos da camisa. A estatística é o meu futuro!". Será que alguém concebe este cenário? O homem fazia a distribuição binomial, achava um número giro, sim senhor, e depois? Para que é que aquilo lhe serve? Quanto a mim, serve apenas para ela chegar à beira do puto que quer diz "vou ser Engenheiro Mecânico" e dizer-lhe com um sorrisinho parvo "não vais não... primeiro, tens que fazer estatística...". A lógica da estatística resume-se a isto: acabar com o sonho dos outros. No fundo, apenas é uma espécia de prova de fogo, uma seleção dos mais fortes. Que serve apenas para acabar com o futuro de muita gente. Basicamente, de toda a gente que tenha a infelicidade de se cruzar com ela. Nesta perspectiva, sempre seria um passatempo giro... Pregar partidas aos outros... Nunca vão acabar o curso por causa da estatística... Grande partida... Eh, eh, eh... Uns malucos, estes estatísticos, é o que é. Srs. Estatísticos: é Natal e estão a precisar de pessoal no Lidl. É altura de repensarem as vossas vidas e dar-lhes um novo rumo. Quem sabe, numa caixa perto de si?

Profissões que não lembram nem ao Menino Jesus

Há por aí muitas profissões que por terem um trabalho "desagradável" ou mais "sujo" fazem com que muita gente lhes torça o nariz quando chega a hora de procurar emprego. Poucos certamente gostariam de andar na recolha do lixo, andar a varrer as ruas ou a limpar casas-de-banho. Não que essas profissões sejam menos dignas ou importantes que as outras mas convenhamos que está longe de ser o emprego de sonho da maioria de nós. No entanto, alguém tem que o fazer e, por necessidade ou até, quem sabe, por gosto, não falta quem ature esses "fretes".
O que me custa sinceramente a entender é como é que há quem escolha de livre e espontânea vontade certas profissões... Podia ficar a noite toda a dissertar sobre o assunto mas vou-me focar apenas em duas profissões que pelo sua relação parvoíce/desinteresse se destacam das demais. Embora uma delas leve um clara vantagem, não poderia deixar de entregar uma merecida menção honrosa a outra delas.
Comecemos então pela menção honrosa muito justamente atribuída à profissão de Árbitro de Bilhar/Snooker. Ora um destes dias tinha eu alegremente os meus neurónios de molho enquanto um via uma partida de bilhar (ou snooker, para mim é tudo a mesma coisa) na Eurosport. No meio daquilo tudo o trabalho do árbitro chamou-me a atenção: o homem para ali, muito queito, a ver se alguém cometia alguma falta (reparem que em bilhar uma falta entende-se qualquer coisa como ensacar a branca ou não tocar nas nossas bolas (esta expressão soa um bocado mal...), não tem nada a ver com entradas à Bynia...) e de vez em quando lá ia o homem mudar uma bola na mesa, com a marquinha para saber onde tudo estava e pouco mais...
Eu consigo perceber um puto a ir ao estádio ver uma futebolada e desde logo achar que o que seria giro era andar lá no meio a marcar penáltis a torto e a direito, expulsar jogadores porque sim e no fim ainda receber uns chocolatinhos em troca... Viver o risco, sentir a adrenalina de expulsar um jogador da casa ou marcar um penálti para o visitante que lhes pode dar o campeonato no último num jogo dos distritais é de homem! Quem já viu um jogo dos distritais sabe que subir o Evereste é um passeio comprado com a missão de arbitrar aquilo... Mas dando um salto para a sala de bilhar... não há nada disso! É estar para ali parado, a olhar para ontem, mudar umas bolas de vez em quando... e tentar não adormecer! Ok, uma bilharada com os amigos é sempre positivo. Mas uma simples poule num café tem dez vezes mais emoção, nos dias fraquitos, que um jogo da Taça do Mundo de Snooker, quanto mais não seja pela perspectiva sempre real de uma bola poder voar em direcção à cabeça de alguém (e não tem que ser necessariamente propositado...) ou de andarem a distribuir cacetes com os tacos caso as coisas dêm para o torto... Aliás, eu acho que o sonho e o momento alto da carreira de um árbitro de bilhar é ter que separar dois jogadores que comecem a esgrimir com os tacos e a lançar giz à testa um do outro... No dia em que isso acontecer, poderá então, à noitinha, deitar a cabeça descansado na almofada e pensar "hoje eu fui verdadeiramente útil" e então dormir o merecido sono dos justos...

Nesta altura, quem teve paciência para ler até aqui já se começará a iterrogar "porra, mas esta abestesma não tinha falado que havia outra profissão ainda mais parva que esta?". Certamente a pergunta não poderia estar mais correcta, jovem sabichão interrogativo, mas o texto já vai longo por isso vais ter que voltar cá amanhã se queres saber que infâme trabalho mereceu tão prestigiante galardão porque este post já vai longo (ou então não, se calhar até já sabes caso tenhas cá vindo já depois de estarem ambos os textos publicados). Dormi descansadinhos da vida que quando vier o Pai Natal já cá deve estar o textinho há muito...

Domingo, 16 de Dezembro de 2007

Ò minha senhora, vamos lá ver uma coisa...

Por manifesta infelicidade, calhou de ter a TV ligada na TVI no fim de almoço. Ao que parece, estava a dar umas das milhentas galas de Natal que proliferam nesta época como cogumelos no monte e onde pessoas mais ou menos famosas, pelo que consegui perceber, iam assassinar músicas de artistas conhecidos (daqueles que cantam mesmo).
O que me chamou a atenção para este flagelo foi ter começado a ouvir o "Encosta-te a mim" de Jorge Palma cantado através dum megafone em vez do tradicional microfone... Pelo menos a princípio pareceu-me mas depois de olhar com mais atenção vi que afinal era só a Manuela Moura Guedes a "cantar".
Vamos lá ver, sei que a mulher até já lançou um disco mas duvido esse mesmo disco tenha sido comprado por mais alguém que não familiares e (grandes) amigos. Pensei que a mensagem tinha ficado claro, Manela... No entanto, torna-se agora claro que houve ali uma mensagem que passou ao lado da cachopa, com as consequências que daí advêm para todo e qualquer infeliz que calhe de ter a televisão sintonizada na TVI quando a Manelita resolver partilhar o seu "dom" com o mundo.
Perante isto, só há uma conclusão a tirar e como diria esse mito vivo do futebol português, Paulo Bento: "Andebol, Basquetebol, Voleibol: mão!; Telejornal da TVI: Manuela Moura Guedes". E daí... no telejornal não... Ela está mesmo bem é em casa, caladinha... Ou a aparecer nas revistas, pelo menos, enquanto não inventarem fotos em papel com som...

Sábado, 15 de Dezembro de 2007

Baby Jesus Returns

Estava para aqui a pensar que o calhava bem este ano era acontecer mesmo um novo Natal. Estou mesmo a dizer que podia voltar a acontecer o mesmo que aconteceu há uns dois mil e tal anos atrás, auqela história toda do puto nascer lá para a Palestina e andar o pessoal que mandava para aquelas bandas a tentar tirar-lhe a tosse, como se fosse um empresário do mundo da noite no Porto. Até se podia começar a contar uma nova era (teríamos Antes de Cristo, Depois de Cristo e Novamente Depois de Cristo) e assim em vez de termos a passagem de ano de 2007 para 2008 teríamos a passagem de 2007 para 0001. 2007 anos já dá uma era bem grandinha e assim sempre um festalhão digno desse nome como houve na mudança de milénio. Como uma mudança de milénio ainda é coisa para demorar um bocado a voltar a acontecer fazia-se isto.

Só que... se eu fosse Deus não enviava o meu filho à Terra por esta altura, logo, partindo do princípio qie Ele também vê as notícias, acho que podemos esquecer essa ideia de termos um novo Menino Jesus. O facto de correr o risco de levar com uma bomba na testa quando nascesse ainda era o menos (afinal há 2007 anos atrás as coisas não estavam muito melhores para aqueles lados) mas mal se soubesse que o puto tinha nascido aparecia logo a TVI à porta da mangedoura a lamentar-se pela falta de condições e a dizer como o Menino gostava de ter uma PS3; a ASAE vinha logo a seguir e fechava aquilo tudo por falta de condições (sim, na Palestina!); a segurança social ia buscar a criança para a entregar ao pai biológico; Scolari aparecia logo a seguir para "defender o minino"; os Reis Magos seriam antes uns Sheiks Magos que chegavam muito antes da estrela pois tinham vindo de Ferraris, Porsches e Lamborghinis; o Pai Natal ficava confuso; aparecia logo uma petição on-line "vamos dar uma casa ao Menino e Figo volta prá selecção!"; Bush não conseguia achar a Palestina no mapa;

Quer-me parecer que pelo menos durante uns tempos o Natal vai mesmo continuar a ser como é...

Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007

Desliguem os rádios!

Hoje estava eu sossegadinho da vida (como sempre) no café a ver o Glorioso tentar salvar a época europeia (refira-se que o conseguiu) quando durante uma normalíssima jogada a meio-campo ouço gritar golo numa mesa atrás de mim... Estranho, tendo em conta que a bola seguia junto ao grande-círculo e dado que continuava em jogo era pouco provável que me tivesse escapado algum golo em tão pequena fração de segundos... Restavam então duas possibilidades: ou a criatura em questão não jogava com o baralho todo ou então essa mesma criatura tinha em seu poder um rádio sintonizado numa estação que estivesse a transmitir o jogo... Ora, toda a gente sabe que o sinal da SportTV chega com uns 6 ou 7 segundos de atraso à televisão... e toda a gente sabe que o rádio dá o jogo em tempo real. Tendo em conta que a bola uns segundos depois chegou à área do Shaktar e acabou mesmo por entrar, adivinhem qual das hipóteses estava certa...
Claro que ter um engraçadinho a dizer-nos "olha, estás a ver esta bola inofensiva? Vai ser golo. E mais: o Cardozo vai metê-la de cabeça!!!" é mais ou menos o mesmo que termos alguém ao nosso lado no cinema quando estávamos a meio de "O Regresso do Rei" a dizer "olha, o Frodo quase cai no abismo empurrado pelo Gollum mas à última consegue salvar-se e destruir o anel, só que o Gollum arranca-lhe metade do indicador pelo caminho". E se este jogo era de uma importância relativa, que dizer quando outro degraçado qualquer decide revelar o desfecho do penálti que deu o campeonato ao Benfica há dois anos atrás, no Bessa? Para quem não se lembra, o Benfica apenas precisava de um empate para ser campeão onze anos depois e Simão tinha a oportunidade de pôr o Benfica a ganhar através de um penálti... Só quem nunca viu um jogo de futebol é que não percebe a tensão, a ânsia, a curiosidade
e o receio que há em cada adepto por trás de um penálti... Agora imaginem o que é, tudo a roer as unhas, a ver o jogador a pôr a bola na marca, tudo a preparar-se quando de repente... GOLO! Alguém manda um berro numa cadeira lá atrás, toda a gente desvia o olhar da TV para ver o que se está a passar e o Cro-Magnon que gritou golo está todo contente a rir-se "eh! Vai ser golo! Olhem! Ups, foi agora mesmo... Golo!"
Depois queixam-se que a sociedade está a ficar violenta. Pá, querem ouvir o relato, VÃO LÁ PARA FORA E OUÇAM!!! Depois até podem fazer o pino quando houver golos que eu não me importo mas se estão num café, cheio de pessoas com os olhos e os ouvidos postos na TELEVISÃO onde tudo o que eles estão a ouvir se vai passar daí a uns 7 segundos então DESLIGUEM A MERDA DOS RÁDIOS!!! Ou então calem-se! Soltem peidinhos quando marcarem um golo e ainda ninguém souber. Assim não só libertam a alegria contida como algo mais e ainda dão um "colorido" diferente à área em redor.

Por último, acho que devia ser legal em qualquer café atirar com uma cadeira à testa do energrúmeno que se puser a gritar golos antes de os serem... "Ah, radiozinho novo e não sei quê..." Uma cadeira em inox na testa e depois viam como são giros os radiozinhos... Gente ruim...

(P.S.: o Cardozo marcou mesmo de cabeça, não foi peta para tornar o crime daquele sujeito ainda mais grave...).