terça-feira, 8 de novembro de 2011

O Mundo encantado dos centros de emprego

Só um assunto de força maior me faria dar vida novamente a este antro, agora feito um zombie apocalíptico (ou será que agora se escreve zumbi apocalítico?) e, pelos vistos, é chegado finalmente o dia em que me armo em Dr. Frankenstein e venho aqui novamente partilhar as minhas preocupações com o Mundo.

Preocupações essas que me vem corroendo a alma e apoquentando o espírito já há alguns meses, mas já lá vamos. A capacidade de falar sem dizer nenhum pelos vistos ainda me assiste, mantendo-me aberta, lá no fundo, a esperança de um dia enveredar por uma carreira política e ajudar a acabar de afundar este país, continente, o que houver para afundar por aí.

Seguindo adiante, que já oiço por aí dizer que a Troika me quer cortar nos caracteres, o que me apoquente está justamente relacionado com a problemática do desemprego crescente. Desta vez não falo de números em geral mas de um ilustre em particular. Aliás, uma ilustre: a Leopoldina.

É certo que ainda não saiu nenhum comunicado da CMVM a dar conta da rescisão do contrato com o Continente, mas nesta altura já ninguém duvida que ela se encontra no mínimo a treinar à parte e a rescisão parece mesmo eminente. Mas vamos por partes.

As preocupações começaram a surgir na mente dos mais atentos quando Continente e Modelo passaram a estar debaixo da mesma insígnia. Era provável que uma das mascotes viesse a saltar fora ou então estariam condenadas a um dueto. Ora, a Popota já largou o emprego de Verão no Marquês e voltou ao ecrã sem a Leopoldina. Já lá vão uns dias e ainda não há sinal da passarona amarela (quando se falava no Poupas e no passarão amarelo isto soava bem melhor...). Começo a ficar mesmo preocupado.

No meio disto tudo, começo a pensar que isto é uma vingança do Continente contra o governo e a Troika. Devem ter a Leopoldina refém algures como vingança contra os cortes no subsídio de Natal: "ai cortam os subsídios para nos lixar o negócio no Natal? Então esperem lá que ides levar com a Popota a guinchar até voltarem atrás com isso."

Entretanto, a Leopoldina desespera. No fundo de uma masmorra ou num centro de emprego? Poupas, salva-a!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

DIA MUNDIAL DO CAPS LOCK

HOJE SINTO-ME COM VONTADE DE INSULTAR TODA A GENTE COM QUEM ME CRUZO E ANDAR POR AÍ AOS BERROS COMO SE ESTIVESSE A VENDER PEIXE NA LOTA OU A PARTICIPAR NUM DAQUELES PROGRAMAS DE FUTEBOL ESTILO TRIO D'ATAQUE.

TUDO ISTO PORQUE ALGUM ILUMINADO ACHOU QUE ERA MUITO BONITO TERMOS UM DIA MUNDIAL DO CAPS LOCK. COMO JÁ DEVEM TER IMAGINADO, CRIATURINHAS DESAGRADÁVEIS, ESSE DIA É HOJE.

ORA, EU TENDO A SENTIR UMA CERTA AGRESSIVIDADE QUANDO LEIO OU ESCREVO ALGUMA COISA EM CAPS LOCK. É AQUELA COISA QUE ME É TRANSMITIDA POR UM ESTILO DE ESCRITA QUE PRETENDE TRANSMITIR GRITARIA, RAIVA E POR AÍ ADIANTE. MAS PODE SER DE MIM.

Agora, como já me dói a garganta de tanto pensar em gritar, vou passar a escrever como as pessoas e mandar dias mundiais nerds às urtigas.

Aliás, só mesmo um nerd em último grau é que se podia lembrar de um Dia Mundial do Caps Lock. Temos o Dia Mundial da Criança, o DM da Luta Contra a SIDA, o DM da Música e por aí adiante. Vai daí, algum rapazinho que ainda acredita que é altamente ter o cabelo à Luke Skywalker e que o que caiu na cabeça de Isaac Newton foi um Mac resolveu olhar à volta no seu mundo e obviamente a única coisa que encontrou foi o teclado de um computador.

Como estava complicado escrever uma mensagem só com RRRRRRRRRR, ZZZZZZ ou mesmo o Tab ou simplesmente Alt+F4 a escolha acabou por recair no CAPS LOCK.

A outra hipótese, é o nosso amigo nerd ter levado com os pés de alguma miúda porque não sabia desligar o Caps e SÓ CONSEGUIA ESCREVER MENSAGENS AOS GRITOS PORQUE O COMPUTADOR DELE TINHA A TECLA AVARIADA E A JOVEM JULGOU QUE ELE ESTAVA A ACABAR COM ELA E NUNCA MAIS LHE FALOU.

Revoltado, jurou vingança e prometeu que um dia toda a gente ia escrever em Caps.

É isso ou simplesmente há gente parva com poder de decisão a mais.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Você não roubaria um carro - parte II

Ahhhhhh! Nada como o cheirinho a naftalina de um velho blog abandonado e caquético, esquecido algures entre os congelados Pingo Doce e uma rádio pirata em São Romão do Coronado, para nos aquecer a alma antes de ir dormir.

E o que me faz vir aqui desenterrar cadáveres a uma hora que eu já devia estar a dormir para vir responder novamente a uma pergunta já respondida?

É muito simples, fui abençoado com uma nova luz sobre o assunto.

A dúvida que me faz andar aqui entre mortos a estas horas é, a sempre pertinente, "Você não roubaria um carro!".

Passando quase dois anos disto eu tenho algumas coisas a acrescentar ao que já foi dito e a primeira é: você nada que eu não andei contigo na escola, para ti "o senhor", seu moralista vendido!

A segunda é não, não roubaria um carro mas se só pudesse andar com ele em meia-dúzia de estradas provavelmente sacava-o de algum lado numa versão que desse para conduzir em todas as estradas.

Vem isto a propósito de dois packs de DVD's todos catitas que pessoas simpáticas me ofereceram aqui há tempos. Até aqui é tudo muito bonito. O que já não é tão bonito é eu colocar, delicadamente como mandam as regras, o DVD no local apropriado para o seu visionamento no computador e... o DVD não dar!

Portanto, eu (ou, neste caso, quem me ofereceu) compro o DVD, os senhores ganham dinheiro, ficamos todos contentes, chego a casa e não posso ver o DVD onde bem me apetece.

Porquê? Para os senhores que não pagaram o DVD não o poderem ver. E eu que paguei o DVD, posso vê-lo? Não! E os senhores que não pagaram o DVD? Podem! E onde? Onde quiserem! E tem que ver uma mensagem a avisá-los que não roubariam um carro? Não! E eu que paguei pelo DVD e fui para um leitor que já ultrapassa todas as protecções do disco (e por isso já pode ler discos piratas), já posso ver o DVD? Agora sim. E posso vê-lo já? Não, primeiro têm que me lembrar que eu não roubaria um carro.

Serei só eu a achar que há qualquer errada aqui?

sábado, 17 de abril de 2010

Habemus Papa!

Olá criaturas desocupadas. Felizes com mais um dia de chuva em plena Primavera? Certamente que sim e, para aproveitar essa euforia, sugiro que vão lá para fora dançar alegremente todos nús para que ninguém duvide dessa felicidade.

Bom, a Primavera vai bem lançada e daqui a pouco começa a época dos festivais. Este ano começa mais cedo porque logo a seguir à Queima vamos ter a tour do Papa em Portugal que irá actuar em Lisboa, Porto e Fátima entre 11 e 14 de Maio, se as cinzas islandesas não tiverem nada contra.

Para apresentar os seus últimos sucessos e assinalar a sua nomeação para um Brit, Sua Santidade contará com um palco de 200000€, capaz de fazer corar de inveja os U2 que, em resposta, já terão encomendado um palco ainda maior para o concerto em Coimbra. A diferença, é que o palco dos U2 é pago por eles enquanto que o do Sr. Ratzinger já me sai do bolso... O que é desagradável porque eu não compre bilhete para nenhum dos dois.

Espera-se uma participação massiva dos jovens neste evento para toda a família. Pergunto-me se irão oferecer algodão-doce e pipocas visto que ultimamente tem havido um claro, digamos, "apelo" do Clero à participação dos mais jovens em "eventos religiosos". Estou a contar também com uma Miley Cyrus na primeira parte do espectáculo.

Vão ser certamente quatro dias muito giros e cheios de animação, com direito a tolerância de ponto e tudo que, infelizmente, não chega até a mim.

A época festivaleira prossegue ainda no mês de Maio com o Rock in Rio Tejo.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Carnaval

Ouviram falar naquele senhor que ficou entalado numa janela de ventilação ao tentar assaltar uma loja em Almancil e que à pala disso levou uns valentes açoites no traseiro durante o tempo que esteve lá preso e que agora quer processar o dono da loja que tentou assaltar por causa disso? (preencher com vírgulas a gosto).

Duas coisas a reter deste caso: primeira, o senhor em questão devia dar graças a Deus, ao treinador do Benfica e a todos os santinhos por apenas ter sido apanhado por um açoitador em vez de ter sido apanhado por um moçambique musculado com dois metros de altura com um voraz apetite sexual enquanto estava naquele pose comprometedora; segunda, a tentativa de processo ao senhor que ele tentou assaltar seria o acontecimento humorístico nacional da semana se não tivéssemos o Rei do Carnaval da Madeira a dizer que Portugal tem de melhorar a sua democracia.

Não que o assunto em si não seja pertinente mas ver o Alberto João Jardim a querer dar lições de democracia seja a quem for é quase como ver o Zézé Camarinha a promover as vantagens da castidade enquanto na sala ao lado o Materazzi dá uma palestra sobre Fair-Play.

E por falar em piadas óbvias, não vou aqui estar a fazer comparações que envolvem os termos "Sporting" e "jogar bem à bola" porque isso seria o equivalente futebolística de convidar uma data de malta para ir andar aos pulos no Haiti para ver se aquilo abana mais um bocado.

Passar bem e um bom Carnaval a todos, cuidado com o Sol e levem roupa fresca para não terem calor que ainda vos dá um fanico. E quando estiverem caídos no meio do chão, podem não ter a mesma sorte que o meliante da loja...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Hitler alimentava-se mal e tinha mau hálito

Não fui eu que disse, quem o diz é o JN citando o jornal alemão Bild: Hitler alimentava-se mal e tinha mau hálito. São notícias destas que fazem avançar o mundo.

Ora, provavelmente reside aqui parte da explicação para a II Guerra Mundial. Algum colega de escola Judeu deve ter dito a Hitler "cheiras mal da boca!" ao que um sub-nutrido aspirante a ditador terá dito "ai é? Espera aí que quando fores lanchar lá a casa meto-te no forno!". E, pelos vistos, tomou-lhe o gosto...

Por outro lado, a vitória dos Aliados terá começado não com o envolvimento dos americanos na guerra ou com acontecimentos como o desembarque na Normandia mas precisamente com a aversão do moço às pastilhas de mentol. Com um hálito destes, provavelmente ainda as tropas alemãs estavam a sair de Berlim e já os Aliados em França diziam "Vem aí o Hitler! E, pffiuuu, deve ter comido qualquer coisa estragada ao pequeno-almoço". Assim, era difícil preparar um ataque surpresa.

A mensagem que devem tirar daqui, sobretudo os mais petizes que lêem estas linhas do seu Magalhães enquanto fazem a composição para amanhã e jogam Farmville, é de que se quando forem grandes quiserem ser um tirano sanguinário e devastar meio mundo, primeiro comam a sopa toda e antes de arranjarem uma frota de panzers e reforçarem o stock de AK-47 arranjem mas é uns contentores carregadinhos de Aquafresh e Colgate de variados sabores.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Prata, alhos e crucifixos: uma receita a não esquecer

Olá pequenada! As saudades de mim já eram muitas, não? Já podem deitar cá para fora toda essa ansiedade contida agora que estou aqui novamente para traduzir aos vossos dias longos e frios.

Eu tenho andado calado mas continuo atento e vigilante do que se vai passando por aí. Uma coisa que me tem chamado a atenção entre anúncios do Pingo Doce e o Carlos Queiroz a cantar Black Eyed Peas é a cantidado de malta com caninos anormalmente longos que tem andado por aí e isso não pode ser bom.

Como se diz na minha terra, um Drácula é pouco, dois é bom, três é manifestamente demais.

Caso isto esteja a ser lento por alguém muito lerdinho ou que acabou de ir comprar um polvo fresquinho aquele supermercado onde o Sr. António Melo de Sousa e Silva costuma fazer compras, estou a falar obviamente da praga dos Vampiros com Açúcar.

O que começou por ser uma coisa aparentemente inofensiva acabou por gerar um gerar um monstro muito perigoso, algures entre um Yeti com uma congestão e a Odete Santos depois de acordar após uma noite sempre a curtir.

Tudo começou quando uma inocente senhora resolveu tirar o Drácula do caixão e pô-lo no secundário a passear de Volvo e dar umas voltas com umas miúdas lá da zona. Até aqui tudo bem, e o Blade nem me pareceu muito chateado que o moço pudesse andar por aí alegremente a passear de dia. Só que, o que no início até podia ter alguma piada rapidamente ficou fora de controlo e começou a haver vampiros por todo o lado.

Pelos vistos, para além de imortais e de terem uns hábitos alimentares à base de carnes vermelhas, o pessoal dos caninos compridos também se reproduz a uma velocidade assustadora e foi um pequeno passo até haver vampiros nos Morangos com Açúcar. Podia ser só uma brincadeira de mau gosto passageira mas não, alguém achou que era giro fazer uma história em volta disso e vai daí nasceram estes Vampiros com Açúcar a que a TVI resolveu chamar Destino Imortal e a SIC chamou Lua Vermelha.

Basicamente, estas produções de qualidade contam a história de colégios que encobrem os vampiros que lá estudam secretamente. Vampiros em colégios de Cascais é, como toda a gente sabe, um dos mais graves problemas do nosso sistema escolar, logo a seguir aos gangs nas escolas da Amadora e às seitas de Lobisomens que se escondem as E.B. 2/3 de Arruda dos Vinhos.

Espero sinceramente que um camião carregadinho de alhos se despiste contra o muro dessa escola e entorne toda a sua carga enquanto o Sr. Blade da Silva sai da reforma e venha passar uns dias por esses lados.

Está o recado dado, ide em paz e que nunca vos cresça os caninos.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Oh não...

Que tragédia tão me faz estar aqui a gastar caracteres a esta hora quando é mais do que óbvio, até para mim, que estou cheio de sono e tenho um relatório para acabar?

Simples: as preocupações que me tem vindo a assolar nestas últimas semanas antes daquele feriado onde se festeja o nascimento do treinador do Benfica.

Eu julguei que o anúncio do Pingo Doce seria um azar passageiro, que o sr. António Melo de Sousa e Silva rapidamente seria reconhecido na televisão por um familiar que o levaria para um local onde pudesse ser devidamente tratado e que a Popota ao fim de quinze dias seria apanhada e presa no Metro a roubar carteiras.

Claro que esperar isso era utópico e nada disso aconteceu. O que aconteceu foi que, em vez disso, os D'ZRT (em português, S'MESA) voltaram. E voltaram em força, quando eu até já pensava que tinham morrido. Vá, pelo menos era legítimo que tivessem sido deportados para o Malawi ou o Burkina Faso. Azar, parece que não. Provavelmente na primeira encarnação não ganharam dinheiro suficiente para comprar um cinto para segurar as calças e vieram agora tentar a sorte novamente. Paciência. Para mim, tanto me faz.

domingo, 15 de novembro de 2009

Um momento muito triste

E pronto. Aconteceu. Algum dia tinha que ser e pelos vistos foi hoje. Aguentei estoicamente longas semanas mas hoje não lhe consegui fugir e... ouvi a música do Pingo Doce do início ao fim.

Eu demorei até me aperceber do flagelo que andava aí à solta. Sempre que me cruzava com este oitavo passageiro do mundo dos supermercados tinha a sorte de me desviar a tempo. Durante algum tempo soube que havia uma música parva qualquer que andava por aí à solta e que me fazia mudar de estação no rádio mal começava mas, por isso mesmo, demorei até perceber de que se tratava.

Entretanto, era inevitável apanhar um excerto aqui, uns ruídos de fundo ali mas sempre escapei a este H1N1 radio-televisivo. Até que hoje... não tinha o comando ao pé de mim e não sabia dele. Fui lento a reagir e entretanto os segundos sucediam-se implacavelmente e quando me apercebi já era tarde de mais: os preços baixos o ano todo na loja inteira e os produtos fresquinhos entraram-me pelos ouvidos implacavelmente e corroeram, sem apelo nem agravo, a pouca inteligência que me restava num massacre estupidificante como eu não me lembro de ver desde o primeiro Big Brother. Os efeitos a médio e longo prazo são imprevisíveis mas tenho medo do que possa aí vir.

E atenção: eu tenho-me andado a portar bem. Contive-me de mandar umas bocas sobre a música quando ouvi os primeiros excertos. Não foi fácil, atendendo a que essa verborreia rítmica implora em estridentes berros pontuados com palavras como "fresquinho" para que aquela letra* seja barbaramente esmiuçada. Mas contive-me. Contive-me quando o senhor senil começou a aparecer nos anúncios do Pingo Doce a dizer três ou quatro vezes seguidas o nome dele. Contive-me quando apareceu a Popota basofiana pronta a assaltar incautos passageiros no metro e a Leopoldina se tornou discípula da Lara Croft e do Jaime Pacheco e desatou a dar porrada em tudo o que mexe. Mas este atendado foi um abuso e não aguentei mais. Tive que desabafar.

Desabafei e tenho dito. Agora vou procurar retiro no Tibete.

* (o uso da palavra "letra" é meramente ilustrativo, não se pretende com isto dizer de algum modo que aquele conjunto de palavras seja efectivamente uma "letra" de uma música válida)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Então e eu?!

No passado dia 17 de Setembro a Direcção Geral de Saúde (DGS) começou a enviar sms a toda a gente para prevenir o contágio da Gripe A. Tudo bem que isto ainda demora um bocadinho a chegar a toda a gente e tal... Mas lá vai chegando.

Há cerca de duas semanas atrás estava a almoçar com um amigo quando ele recebeu a mensagem da DGS: "Com sintomas de gripe fique em casa blá, blá, blá por aí adiante". "Um dia destes recebo eu", pensei inocentemente. O que é certo é que até hoje, nada! E já lá vai mais de um mês desde que começaram a enviar as sms. Se tivermos em conta que esse meu amigo é da mesma rede que eu, estuda no mesmo curso e na mesma faculdade que eu, mora no mesmo concelho e na mesma freguesia que eu e que eu ainda não recebi nada, só posso concluir uma coisa: a DGS não quer saber de mim!


Sinto-me como se houvesse uma festa para onde convidaram toda a gente menos a mim. Não há direito! E se apanho gripe, como é que faço? Aliás, eu nem vou saber que apanhei gripe até ter contagiado meio mundo. Ninguém me avisa de nada! E recuso-me a ler a sms enviada a outra pessoa: em primeiro lugar, porque é feio ler a correspondência dos outros; segundo, se a DGS quisesse que eu soubesse avisava-me, como aos outros. Quando eu andar por aí a espalhar a Gripe vão desejar ter-me avisado! Mas aí eu já não vou querer saber. Pena que agora não me dê jeito apanhar a gripe. Senão iam ver, eu a espalhar isso por aí sem querer saber.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Considerações

São 1h11 da noite no momento em que começo a escrever este texto e amanhã (hoje) tenho que acordar antes das 8h. O que me traz aqui? Nada de especial mas também nunca precisei de motivo para estar aqui a perder horas preciosas de sono cuja ausência poderá afectar de formar irremediável o meu rendimento académico, arrastando-me mais tarde para uma carreira profissional sem rumo nem futuro, andando por aí a penar para pagar as contas ao fim do mês. Um biscate, portanto, quando comparado com a tarefa que o Paulo Bento tem para pôr o Sporting a jogar futebol que se veja.

Por falar em Sporting, isso faz-me lembrar que desde a última que cá vim muita coisa mudou. Entretanto, o Benfica deixou de ter um gajo com um nome amaricado no banco para passar a ter, nada mais, nada menos que o próprio Jesus.

Já muita gente me tinha dito que o Benfica só lá vai com ajuda divina mas nunca pensei que levassem isso tão a sério. O que é certo é que tem corrido bem e para pôr a coisa mais gira ainda só se tivéssemos um Maomé no banco do Porto. Assim ficávamos com Jesus no Benfica, Maomé no Porto e o cabelo do Paulo Bento no Sporting. Um trio de ataque de profetas.

Futubolices à parte, hoje (ontem), foi dia de baralhar, dar de novo e ficar tudo na mesma. Ou seja, foi dia de eleições legislativas.

É sempre um dia giro para cerca de 40% dos portugueses porque podem ir fazer compras pró Shopping mais à vontade porque há sempre uma catarefada de gente que vai votar e sempre deixa aquilo mais aliviado...

Aliás, eu acho que devo haver alguém na CDU que gosta particularmente deste alívio dos Shoppings nos Domingos de eleições porque desde há uns meses para cá tenho visto umas faixas espalhadas pelo Porto (e não só) a dizer "Domingo vota CDU". Eu bem que lá vou todos os Domingos à Junta de Freguesia ver se posso votar mas apanho sempre aquilo fechado...

Hoje lá tive sorte e lá me deixaram pôr um quadrado no papelinho. Entretanto, aposto que enquanto milhares de cidadãos enganados pelos cartazes da CDU davam, frustrados, com a sua assembleia fechada todos os Domingos, algum comunista todo contente passeava tranquilamente pela Zara depois de um almocinho sossegado no McDonald's...

Bem, pelo sim, pelo não, já andei a perguntar quando é que isto das eleições acaba e disseram-me que era lá para Outubro. É pena, agora já estava habituado e não sei o que hei-de fazer aos Domingos. Às tantas vou ter com o senhor dos cartazes da CDU à Zara. Ou então não.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Novamente certos e determinados anúncios

Já não é a primeira vez que aqui abordo a problemática da publicidade a detergentes e afins mas esta é uma questão que continua sempre actual e nunca é demais ser lembrada. Aliás, não é preciso esforçar-me muito para encontrar novos dados sobre este tema, os próprios senhores que tratam destes anúncios parecem empenhados em facilitar-me a tarefa. E eu agradeço, obviamente.

Dentro desta categoria de gente bem intencionada que me ajuda neste trabalho tenho que deixar aqui um sentido louvor aos senhores que tratam dos anúncios do Vanish Oxy Action. Estes senhores não se cansam de nos brindar com a mediocridade dos seus anúncios para que gente como eu tenha com que se entreter e é sempre de louvar quando algum investe quantias consideráveis (ainda para mais nesta época de crise) em publicidade cuja única finalidade (eu esforço-me mas não consigo ver mesmo outra) é entreter gajos desocupados como eu.

Elogios à parte, voltemos à problemática central: o mundo encantado dos anúncios de detergentes da roupa. Neste mundo, quando uma pessoa se suja, é uma tragédia de proporções comparáveis às recentes tragédias de Pireu ou de Munique ou pior ainda.

O drama, o horror e a tragédia apoderam-se daqueles que entornam uma chávena de café ou o Nesquik do pequeno-almoço na sua camisola favorita e o Apocalypse parece mais próximo do que nunca. Só que quando tudo parece perdido, eis que surge o salvador do dia, qual Homem-Aranha de detergente em riste pronto a combater a mais selvagem e feroz nódoa de gelado ou ketchup.

Em tempos, esse salvador era encarnado pelo Homem-Persil: um fulano que aparecia no meio do estendal e convidava as senhores donas-de-casa (na ausência do marido) para irem com ele ao "interior das fibras" analisarem as nódoas.

A crise apareceu e viajar até ao interior das fibras das roupas não é para todos e acabaram-se essas viagens. Contudo, continua a haver nódoas e continua a ser preciso alguém douturado no assunto para ajudar as famílias desesperadas que não sabem lidar com elas. Eis então que os senhores da Vanish Oxy Action (cá estão eles) nos mandaram para nos salvadores a Menina de Cor-de-Rosa.

Basicamente, esta heroína (nada a ver com droga) dos tempos modernos é uma jovem vestida com uma t-shirt cor-de-rosa-Vanish que aparece vinda do nada trazendo a salvação na forma da embalagem mágica de Oxy Action às donas de casa desesperadas por uma nódoa de café. Importa realçar que elas aparecem imediatamente após o surgimento da nódoa respondendo ao chamamento "oh não! o que é que eu faço agora?".

Isto é estúpido e eu a bem da ciência tratei de testar a veracidade do anúncio. Aproveitando as festividades Pascais, entornei parte do conteúdo de um copo de 7Up nas minhas calças. Cientificamente terão sido produzidas umas caralhadas em seguida e um chamamento que deveria trazer qualquer super-herói das nódoas à minha presença. Mas o que é certo é que a gaja de cor-de-rosa não apareceu. E era estúpido se aparecesse porque eu acho um abuso entrar assim pela casa das pessoas sem pedir licença. Ainda por cima eu tinha o portão fechado.

Aliás, eu acho que essa é a principal falácia dos anúncios parvos a detergentes: as gentes dos detergentes nem sequer pedem licença para entrar pela casa das pessoas dentro. No caso da velhinha da Neoblanc é diferente porque aí a senhora já está infiltrada na família. Mas a senhora do Vanish, que até pode ser muito boa pessoa, acho que abusa um bocado em entrar assim na casa das pessoas e a meter-se na conversa sem ninguém lhe perguntar nada. Só porque traz uma embalagem de detergente na mão e uma camisola de uma marca do mesmo. Se ao menos ainda batesse à campainha...

Por este andar, um destes dias arranjo uma camisola da Vanish e compro uma embalagem e lá vou eu entrando nas casas que me forem aparecendo à frente. Se aparecer agluém, digo que vinha ajudar numa nódoa... e se não houver nódoa digo que foi engano, peço muita desculpa e vou-me embora. Se não aparecer ninguém, trago um LCD ou um portátil como recordação e lá vou eu à minha vidinha...

sábado, 4 de abril de 2009

A poesia mata

Ainda estou chocado com mais esta (de entre muitas) descoberta que eu fiz recentemente: a poesia mata.

Assim à primeira vista, pode parecer uma frase muita sensacionalista, a fugir um pouco para um certo estilo TVI/24 Horas. O problema no meio disto tudo... é que não é sensacionalismo. É um facto e convém que as pessoas fiquem cientes disso porque parece que até hoje ainda ninguém tinha ficado verdadeiramente ciente disso.

Por esta altura, já a maior parte das pessoas revirou os três vezes e fechou a página. Quanto a essas pessoas, só esperam que sejam apanhadas por um soneto enfurecido numa ruma escura. Para os heróicos resistentes (vá, crentes) que ainda cá estão, eu explico como tudo se passou e como o que eu estou a dizer é tão verdade como a miopia do Sr. Baptista de Setúbal.

Portanto, foi o seguinte: quis o destino que um destes dias eu andasse a queimar tempo algures entre a Boavista e o Campo Alegre. Num sítio com ruas. Muitas ruas. E gente que anda a queimar tempo, repara em coisas. Coisas como o nome dessas ruas. E sucede também que os senhores da Câmara do Porto são uns porreiros e põe informação nas placas de ruas com nomes de pessoas. Coisas giras como a profissão do senhor em questão e os anos do nascimento e da morte.

Quis também o destino (esse animal) que ao passar na Rua de Soares de Passos que eu reparasse nas datas do nascimento e da morte do senhor. O pobre coitado tinha nascido em 1826 e morrido em 1860. 34 anos. É manifestamente pouco. Prestei atenção redobrada à placa para tentar saber se o moço fazia alguma coisa perigosa estilo alpinismo, base-jumpping ou se dava aulas numa Secundária do Porto. Só que não era nada disso, o rapazinho era poeta. Pronto, teve azar, pensei eu. E segui à minha vidinha.

Seguiu-se a Rua de Guilherme Braga no meu plácido roteiro. Outro poeta. Outro desgraçado. 1845 a 1874. 29 anos. Este sócio nem aos 30 chegou. A coisa pelos vistos afectou-o cedo. Começava a surgir-me a dúvida se as ruas daquele bairro teriam nomes de poetas ou nomes de pessoas que morreram cedo... Ou ambas... Mas também podia ser só uma coincidência.

Continuei viagem. Próxima rua: Rua de António Nobre. Desta vez saiu-me um... domador de leões! Não, mentira. Era poeta. Só que... este viveu até aos 90! Não, também é mentira. Viveu 33 anos. Entre 1867 e 1900. Começava a ser coincidência a mais.

Só que, ainda antes de chegar ao Campo Alegre, tinha que passar pela Rua de Guerra Junqueiro. Para variar, mais um poeta... que viveu 73 anos! E este viveu mesmo. Afinal, ainda há esperança. Só que não chegou para me convencer e chegado a casa resolvi investigar mais um pouco e peguei em dois nomes assim ao acaso: Fernando Pessoa e Manuel Maria du Bocage.

O primeiro, ainda viveu uns simpáticos 47 anos (1888-1935). Não é muito mas comparando com os outros que duravam pouco mais de 30 anos, não está mal... Contudo, convém lembrar que o homem se dividia em heterónimos e mesmo só contando com os três mais conhecidos e com o ortónimo dá pouco mais de 10 anos a cada um... E isso é muito, muito pouco.

Já o sôr Bocage viveu apenas 40 anos. Continua a não ser muito e vem reforçar a teoria.

Portanto, e depois desta palha toda, é fácil perceber onde eu quero chegar: todos estes fulanos eram poetas e quase todos eles morreram jovens. Conclusão: a poesia é uma substância extremamente nociva e por muitas vezes conduz a morte muito prematura. Em duas quadras existe mais substâncias letais do que numa manada de nicotina. Uma boa dose de tercetos faz a heroína parecer uma coisa de meninos. Umas sextilhas combinadas com meia dúzia de septilhas podem despachar um gajo em semanas.

E as pessoas não sabem disto e parece que não querem saber! A droga proibi-se, o tabaco leva com mensagens garrafais nos maços que podem ser lidas em Viana do Castelo por um gajo que esteja em Idanha-aNova (FUMAR MATA). E estes gajos das poesias andam por aí à solta e ainda por cima tentam impingir estas coisas a chavalada desde cedo... Claro que há um iluminado qualquer que se vai lembrar de perguntar "E então o Guerra Junqueiro? O homem não viveu 70 e tal anos?". A esse iluminado eu respondo apenas que sim. E acrescento ainda que também há gente a fumar 3 e 4 maços de tabaco por dia e que vive até aos 90 ou que há pessoas que caiem de um 4º andar e sobrevivem. São casos que acontecem, o que não quer dizer que façam bem. Aqui é igual.

No mínimo, os livros de poesia deviam vir com avisos a negrito, bem visíveis na capa com mensagens do género "A POESIA MATA", "POETAR PREJUDICA A SUA SAÚDE E A DOS QUE O RODEIAM", "AS RIMAS PODEM CAUSAR IMPOTÊNCIA". E, eventualmente, discutir-se já num futuro próximo a abolição da poesia. É que anda gente a morrer por causa disso! Alguém tem que fazer alguma coisa. Depois não digam que não avisei.

sábado, 28 de março de 2009

Vamos salvar o Planeta!

Pois é, é isso mesmo! Neste Sábado parece que é para salvar. Quando forem 20h30, todo o mundo desliga o quadro eléctrico: não há luz, não há pc's (será que se pode usar portáteis?), não há televisão... Niente! Durante uma hora, toda a gente em todo o Mundo (e isso, por acaso, inclui Portugal) desliga a corrente.

Eu acho muito bem. Salvar o planete é uma coisa gira. Dá jeito. E é fácil: só temos que desligar a luz durante uma hora e está feito. Não temos mais com que nos preocupar. Todos os males do Mundo se resolvem. É como no Dia Europeu Sem Carros: a gente deixa o carro por um dia em casa, é tudo maravilhoso e no dia seguinte voltámos à nossa vidinha normal e todos os problemas que motivaram o Dia Sem Carros estão resolvidos: os carros já não poluiem, as redes de transportes públicos já estão muito boas, etc.

Só que esta coisa de salvar o mundo é muito gira, como já vimos e mais não sei quê... mas já viram bem a hora que escolheram para isso? 20h30 do dia 28 de Março de 2009! O que é que tem?

Para quem ainda não reparou... joga a Selecção. E não é um jogo qualquer! É o jogo decisivo do apuramento para o Mundial 2010! E este pessoal quer que a gente desligue a televisão à hora do jogo... Chatice... É que não dá jeito nenhum mesmo...

Andei a pensar, e, se calhar, o melhor a fazer é o Mundo tradar da vidinha dele, que veja se salva, assim não fica à nossa espera (afinal, amigo não empata amigo - e a Suécia que não nos empate a nós!) e nós no fim da bola logo vemos como sabemos.

O Mundo salva-se. Portugal depois desenrasca-se. Afinal, a gente está habituada. Os portugueses são os reis do desenrasque. O pessoal à volta que trate da vidinha deles que a gente dá um jeito à coisa antes que isto estoure. E com um bocadinho de jeito ainda despachamos os suecos também... Digo eu...

segunda-feira, 16 de março de 2009

7 maravilhas

Parece que agora é moda. Aquilo que inicialmente parecia uma brincadeira inocente e, quando vista de certos ângulos, gira, está-se a tornar numa praga irritante e completamente descontrolada.

Inicialmente eram, apenas e só, sete. Aliás, dessas sete restava uma - as pirâmides de Gizé. A maior parte do pessoal mal se lembrava que tinha havido sete maravilhas espalhadas pelo mundo. Até que um dia, alguém se lembrou que o que era giro era escolher mais sete maravilhas. É claramente o tipo de coisas que um gajo se lembra pela manhã: "olha, hoje estava aqui a pensar escolher as sete maravilhas do mundo, será que alguém me podia dar uma mãozinha?".

Só que, como eu dizia no início, o mal disto é que até parecia giro e o pessoal achou piada. Vai daí, toca a escolher as tais sete maravilhas. As maravilhas foram escolhidas, fez-se uma festa e no fim toda a gente foi feliz para casa. Ah, um pequeno detalhe: a cerimónia onde foram anunciadas as novas sete maravilhas decorreu... no Estádio da Luz (ele próprio, uma maravilha acima de qualquer lista). Só que tudo o que passa pela Luz corre um forte risco de acabar em tragédia. Veja-se o caso do Sporting: meteu-se com os da Luz e nas semanas seguintes viveu uma tragédia bávara (ok, o jogo não foi na luz mas eu tinha que falar disto aqui).

Continuando, o que é certo é que a coisa correu mal e os portugueses, sempre na vanguarda, trataram logo de começar a descambar com a coisa. Pensaram que se o Mundo tinha direito a ter sete maravilhas então Portugal também que ter as suas próprias sete maravilhas.

Já começava a ser maravilha a mais: sete do mundo e sete do mundo moderno já são catorze, com mais sete de Portugal são vinte e uma... Mas vinte e um é um bom número. É o número do Nuno Gomes e o indicativo de Lisboa, entre muitas outras coisas. Se ficasse por aqui ainda não era muito mau...

Só que a caixa de Pandora estava aberta e agora o que inicialmente era uma brincadeira gira tinha-se tornado numa pandemia (sinceramente, não sei a diferença entre pandemia e epidemia nem estou muito preocupado em saber - até pode não ter nada a ver - e se alguém quiser ter o trabalho então que faça o favor de explicar mas gosto da palavra). Se o mundo tinha, Portugal também tinha que ter... e se Portugal tinha, porque não escolher as sete maravilhas de Leça da Palmeira? E quem diz as sete maravilhas de Leça da Palmeira, diz as sete maravilhas de Barcelos (com direito a um site todo catita e tudo).

Como viram, sem sair de uma curta região algures entre o Douro e o Cávado encontrámos mais duas "sete maravilhas". E certamente se procurarmos por esse país fora encontraremos praí as sete maravilhas de Freixo de Espada À Cinta ou as sete maravilhas da Segunda Circular. E por falar em Munique, a amostra recolhida resume-se ao Norte de Portugal... e as sete maravilhas foi um evento à escala mundial... Nem quero imaginar a quantidade de Leças das Palemeiras e Barcelos por esse mundo fora com as suas sete maravilhas particulares.

Já agora, aproveito para lançar uma sugestão: porque não escolher as "sete maravilhas dos treinadores do Benfica" para escolher os sete piores treinadores que passaram pelo Glorioso nos últimos 15 anos ou "as sete maravilhas das contratações falhadas desta época" (nota-se muito que ainda estou com azia por causa do jogo com o Vitória?). Ou noutro registo, as "sete maravilhas dos presidentes de câmara com processos em cima" ou então... não, e daí se calhar não. É mesmo melhor ficar por aqui. Chega de maravilhas!

Ah, afinal já sei! Escolhe-se as sete maravilhas deste blogue! Embora haja o risco de eu ganhar todos os prémior... A menos que, nas regras da votação, apenas permite que se vote em posts. E daí, não. Chega! Mesmo. Não há mais maravilhas. Ponto.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Modernices

Dragon Ball, Samurai X e A Bíblia. O que há em comum entre estes três contos? Embora num primeiro impulso possamos ser tentados a dizer que os heróis deste trio têm todos super-poderes isso não estaria correcto. Convém lembrar que Kenshin Himura de Samurai X não possuía qualquer tipo de poder sobrenatural, ele apenas se destacava pelos seus extraordinários dotes como Samurai, qual Cristiano Ronaldo das espadas (e, embora eu não duvide que o nosso amigo Kenshin fosse um exímio jogador de sueca, de momento refiro-me mesmo aquelas espadas que cortame e não a esse bonito naipe de cartas).

Desfeito o equívoco inicial, voltemos à questão central: o que há em comum entre o Dragon Ball, o Samurai X e A Bíblia? Certamente depois de eu esclarecer o mistério muita gente dará uma palmada na testa e exclamará "ahhhhhh, pois é!!! Como é que eu não pensei nisso antes?" o que, aliás, é perfeitamente compreensível.

Sucede então que estas três histórias podem ser lidas em banda desenhada Manga. Óbvio, não era? Para os cerca de meia-dúzia que não estão a perceber nada do que está a passar, eu passo a explicar.

Passa-se que existe uma coisa chamada Manga e segundo a Wikipédia:

"A manga é uma fruta do tipo drupa, de coloração variada: amarelo, laranja e vermelha, sendo mais roseada no lado que sofre insolação direta e mais amarelada ou esverdeada no lado que recebe insolação indireta. Normalmente, quando a fruta ainda não está madura, sua cor é verde, mas isso depende do cultivo. A polpa é suculenta e muito saborosa, em alguns casos fibrosa, doce, encerrando uma única semente grande no centro. As mangas são usadas na alimentação das mais variadas formas, mas é mais consumida ao natural."

Ora, esta explicação estaria óptima se eu fosse o Eng. Sousa Veloso e estivéssemos em mais um TV Rural. Como nem eu sou o Eng. Sousa Veloso nem isto é o TV Rural, talvez seja pertinente procurar uma explicação mais adequada ao contexto. Surge então na mesma Wikipédia o seguinte:

"Manga é a palavra usada para designar as histórias em quadrinhos feitas no estilo japonês. No Japão designa quaisquer histórias em quadrinhos. Vários mangas dão origem a animes para exibição na televisão, em vídeo ou em cinemas, mas também há o processo inverso em que os animes tornam-se uma edição impressa de história em sequência ou de ilustrações."


Não é exactamente isto apenas mas para agora serve, até porque agora não me apetece estar à procura de uma explicação melhorzinha. Acrescento que olhos esbugalhados e esguichos intermináveis de sangue (alguém viu o Kill Bill?) são o pão-nosso de cada dia nas séries Manga. E como se insere a Bíblia no meio disso tudo?

Muito simples: acontece que existem pessoas com tempo livre a mais (aliás, cá estou eu a provar isso mesmo!). Acontece também que no Japão essa espécie se multiplica assustadoramente que nem uma praga. E devo acrescentar que eu à beira dessa gente sou uma pessoa extremamente ocupada e com coisas interessantes para fazer. É justamente de cabecinhas de gente como essa que saiem ideia do género "o que era giro era a gente editar a Bíblia no formato Manga". Claro que se fosse eu a dizer isto que a resposta seria certamente algo do género "ò Diogo, por favor, não bebas mais e vai prá cama!". E eu ia. O problema é quando isto é dito por senhores com poder de decisão e alguém os leva assim.

Com tudo isto, lá acabaram por editar não só a Bíblia em Manga como também uma catarefada de outros livros históricos como o Mein Kampf de Adolf Hitler ou O Capital de Karl Marx.

Eu até acredito que A Bíblia possa dar uns bonitos quadradinhos num livro Manga. Estou a imaginar Moisés a conduzir os Judeus na fuga para o deserto durante a travessia do Mar Vermelho: um quadradinho a dar-nos um grande plano dos olhos semi-cerrados de Moisés enquanto este fitava o mar à sua frente seguido de uma imagem do Mar Vermelho subitamente aberto em dois, Moisés de braços abertos e centeas de Judeus de expressão estupefacta a observar a cena! Cenas épicas é o que não falta na Bíblia embora, sabendo da apetência dos senhores japoneses por sangue a esguichar por todo o lado (sugiro mais uma vez que dêm uma vista de olhos à homenagem Quentin Tarantinesca ao género - o Kill Bill - para verem um bom filme e perceberem melhor aquilo de que eu estou a falar) me intrigue sobremaneira a forma como eles terão tratado a crucificação... Deixo isso ao sabor da imaginação de cada um.

Mas como dizia em cima, até acredito que a Bíblia tenha muito que passar a Manga mas... o Mein Kampf? O Capital? Tudo bem que o primeiro volume do Mein Kampf é essencialmente autobiográfico e até quase que consigo imaginar uns quadradinhos onde vemos um Hitler dos seus 13 anos a desesperar em frente ao espelho porque o bigode não lhe cresce e não tem a forma charlotiana que ele tanto sonhava. Mas fora isso, a essência da obra é sobre a doutrina nazista não vejo que raio é que tenham para traduzir para desenhos. Que vão pôr? Hitler a discursar numa tribuna em trezentos quadradinhos seguidos? Pode ser só ignorância minha. Mas não me parece. E o mesmo se aplica a'O Capital, à parte a cena do bigodinho do Adolfo.

Esta gente lembra-se de cada uma... Que virá a seguir? Os volumes XXVIII e XXIX do Diário da República Portuguesa em Manga? Livros de Comportamento de Materiais em Manga? O Regulamento da Avaliação dos Professores em Manga? Ok, este último até podia dar uma boa colecção com ovos pelo ar e tudo. Mas não deixa de ser uma ideia parva por causa disso.

Por último e em jeito de curiosidade, esta informação foi retirada de uma qualquer edição mui respeitável revista Notícias Magazine que tive encontrei num café quando foi para lá estudar. Pois é, não podem dizer que não se aprende quando se estuda num café.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Você não roubaria um carro...

Quando se começa a ver um filme num DVD original já se sabe à partida que o filme vai ter um pequeno atraso. Um atraso, ainda que ligeiro, é sempre desagradável, sobretudo quando se está ansioso por ver "aquele" filme. Só que não há maneira de fugir a esse atraso. E porquê? Porque as pipocas não estão prontas? Porque vai surgir uma chamada urgente no telemóvel? Porque ninguém sabe do comando? Porque faltou a luz? Não! Nada disso.

Os filmes começam todos com um atraso de uns dois minutos porque alguém insiste e volta a insistir com as pessoas que compram filmes originais que a pirataria é crime.

"Você não roubaria um carro!". Está bem, não roubava. Posso ver o meu filme? "Você não roubaria uma casa". Pois não, estou muito bem na minha. E o filme, posso ver? "O Download ilegal é crime!". Deixa ser. É queimá-los a todos numa fogueira. Já posso ver o filme? "Punível com pena de prisão". Prendam essa gente toda, se tiverem lugar para eles. Até ajudo. Mas posso ver o filme? "Quem sacar filmes vai parar a Guantanamo!" Óptimo! Posso ver o filme? Que melgas!

É que o raio da mensagem, na maioria dos filmes, nem sequer dá para avançar. E a quem é que eles vem dizer isto? A quem saca filmes? Não! A quem gastou o seu dinheirinho de livre e espontânea vontade para comprar aquele filme quando o podia ter sacado SEM A PORCARIA DA MENSAGEM A DIZER-LHE QUE ESTÁ A COMETER UM CRIME!!! Digam lá, o que é que dá vontade de fazer?

Isto é como se eu fosse a 100km/h na auto-estrada, sossegadinho da vida, e a polícia me mandasse parar para dizer "olhe, não se esquece que andar acima de 120km/h é uma contra-ordenação punida por lei! E já agora, cuidado com os copos! Vá, pode seguir. Tenha um bom-dia."

Já agora, uma dúvida: se eu convidasse uns amigos para verem o filme comigo, eles estavam a cometer algum crime? Tecnicamente, só eu é que tinha pago o direito de ver o filme. E se nos juntarmos dez pessoas para comprar um filme de 20€? Na verdade, só pagámos 2€ cada um para ver o filme. É crime? E se eu tiver sacado o filme para ver primeiro e tiver gostado tanto do filme que o queria comprar para colecção? Devo ir preso antes de comprar o original? Esta história da pirataria começa a ficar doentia...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Promessas de Ano Novo

Contrariando todas as expectativas criadas pela minha prolongada ausência, as últimas notícias indicam que eu afinal estou vivo e o estaminé ainda está aberto.

Esta ausência tão prolongada tem uma explicação muito óbvia: fui vítima de um naufrágio algures entre a Vanuatu e a Tasmânia e fui dar a uma ilha deserta onde estive cerca de 15 dias até aparecerem uns aliens que me levaram até Marte para umas experiências genéticas e só me trouxeram de volta hoje. Aliás, foi por isso que hoje nevou no Norte, foi efeito da nave deles a entrar na atmosfera. Coisas da Física.

Para quem não gosta desta versão posso simplesmente ter tido uma overdose "bombástica" de trabalho e andei desaparecido com isso e depois pura e simplesmente resolvi meter férias sem dar cavaco a ninguém. É uma versão um bocado rebuscada mas se preferem acreditar nela, por mim tudo bem...

Entretanto, durante o meu naufrágio e rapto, foram acontecendo coisas: foi Natal, os exames começaram a pairar no ar, chegamos a 2009, os exames tornaram-se cada vez mais próximos, o Benfica perdeu o primeiro lugar, os exames chateiam cada vez mais, nevou na praia...

No meio de tanto evento importante queria destacar a passagem de ano. A passagem de ano é daqueles acontecimentos que podia muito bem ter sido criado por um bando de estudantes com um bocado de tempo livre a mais. Estudante ou não, gabo a ideia do senhor(a) que um dia se lembrou que era altamente aproveitar o pretexto de o calendário chegar para apanhar uma monumental jarda. É que, no fundo, a passagem de ano não é mais do passar do dia 31 de Dezembro para o dia 1 de Janeiro! E fazer de uma coisa que acontece todos os dias um motivo para celebração à escala mundial é daqueles pequenos pormenores que merece o meu sincero aplauso.

Podiam ter escolhido a noite de 31 de Março para 1 de Abril, a noite de 23 para 24 de Junho ou mesmo a passagem das 11h34 para as 11h35 do dia 7 de Outubro para celebrar mas não: escolheram a noite de 31 de Dezembro para 1 de Janeiro para mandar foguetes e beber champanhe. Porquê? Porque é preciso comprar um calendário novo!

Mais uma vez, reforço a ideia de que não tenho nada contra as celebrações em questão, muito pelo contrário. Contudo, não posso deixar de reparar que a data não é a mais conveniente: calha logo a seguir ao Natal e ainda tem tudo a pança cheia e as finanças em baixo, calha antes dos exames e ninguém vai estudar entre o Natal e o Ano Novo e está um frio desgraçado. Olhando para estes contras todos, não tinha sido pior se o senhor que se lembrou de mandar os foguetes e beber champanhe tivesse achado mais giro festejar a passagem da Primavera para o Verão (ia tudo festejar para a praia!) ou mesmo no fim dos exames. Este ano calhava mesmo bem e tudo: ponha-se a festa ali algures entre dia 18 e 19 de Fevereiro e se sobrassem umas bebidas já ficavam para o Carnaval. Mas pronto, a data até nem está mal de todo e o festalhoum está muito bem como está. No entanto, se quiserem aproveitar as sugestões para tentarem um Reveillon noutra data, estejam à vontade... Até podemos ficar com os dois.

Bebedeiras e foguetes à parte, há uma coisa na passagem de ano que eu gosto muito: as promessas de Ano Novo. As promessas de Ano Novo são o nosso "momento político" do ano. É aquela altura em prometemos coisas que já sabemos que não vamos cumprir. Promete-se de tudo, coisas como "este ano vou começar a estudar antes da véspera dos exames", "vou perder peso", "vou juntar dinheiro para comprar dois carros e uma mota", "vou postar no blog todas as semanas" entre muitas outras. A parte positiva disto tudo é que essas promessas são coisas que já sabemos à partida que não vão acontecer. Por exemplo, se alguém vos disser "ah, este ano prometo que te vou partir a boca!" podem estar sossegados que isso não vai acontecer. Outra pessoa qualquer até vos pode dar um enxerto de porrada. Mas aquele fulano em particular já sabem que não vos toca num único cabelo.

A parte gira disto tudo é que ano após ano, mesmo sabendo disto tudo, muita gente continua a insistir nas promessas de Ano Novo. São como o Benfica (para o ano é que vai ser!). E nós cá estaremos no ano seguinte para os ver dizer novamente "ah, este ano não cumpri nada do que tinha prometido. Para o ano é que é!".

P.S.: para quem não sabia, fica a saber que o calendário não é apenas aquela coisa que se pendura na parede. Ficam sabendo que também vive lá gente.

sábado, 6 de dezembro de 2008

And it's Christmas... all over... again!

É Natal!

Vá lá, é quase Natal. Não sei se por acaso já alguém tinha dado por isso mas a verdade é que faltam pouco mais de duas semanas para o Natal. Shoppings cheios, carteiras vazias, filas intermináveis e um frio glaciar (o que vinha mesmo a calhar era um aquecimento global natalício!). Tudo isso e muito mais existe por aí e é sempre a aumentar até dia 24! (eu sei que o Natal é dia 25 mas ninguém faz compras dia 25)
Quem ler isto e quem seja frequentador assíduo deste tasco, para além de ter certamente uma existência ou tanto ou quanto deprimente, poderá pensar que eu detesto o Natal e que isso se deva talvez a algum abuso sofrido em criança por parte do Rodolfo ou alguma das outras renas do Pai Natal. Isso é total e absolutamente... mentira!

É verdade que o Rodolfo e os amigos realmente nunca fizeram muito o meu género mas também é verdade que eu adoro o Natal. E agora estou a falar a sério! Por incrível que isso possa parecer, também acontece. É como o Natal: pelo menos uma vez no ano.
O que eu não gosto nem um bocadinho é que me estraguem o Natal. Isso é feio, é desagradável e faz com que eu seja (mais) desagradável. Eu não sei quem está por trás disto mas tem-se forçado muito nos últimos anos. Senão vejamos:

- querem pôr o Natal em Novembro. Já aqui o tentei dizer mas pelos vistos não fui muito claro. Desta vez, digo-o com todas as letras: minha gente, o Natal é em Dezembro! Ponto! Já ouviram falar no calendário? Para além de ser uma das 49 freguesias do município de Vila Nova de Famalicão é também um instrumento bastante útil. Se andarem atentos, verão que alguns desses calendários tem uns símbolos junto ao nome de cada mês. Por exemplo, um Sol em Agosto, uma máscara de Carnaval em Fevereiro, umas castanhas em Novembro ou um pinheiro em Dezembro.
Vamo-nos focar nestes dois últimos símbolos e ver se entendemos de uma vez por todas o porquê das castanhas em Novembro e o pinheiro em Dezembro: em Novembro há um evento chamado Magusto, onde se comem castanhas. Em Dezembro, há um evento chamado Natal em que se decoram as casas com pinheiro. Por isso, começar a celebrar o Natal em Novembro é, no mínimo, estúpido. E recuso-me a voltar a tocar neste ponto até ao próximo ano.

- músicas de Natal tocadas em sininhos. A ideia em si, até tem o seu quê de giro. Só que esgota-se ao fim de aproximadamente quatro segundos. A variante "sininhos" é, sem dúvida, a estripe mais letal de músicas de Natal e a mais contagiosa. Estas musiquinhas podem vir, também, em séries luminosas.
Não tenho nada contra as músicas de Natal em si mas em certos contextos podem ter efeitos muito nefastos. Por exemplo, estão a ver aquelas lojas, sobretudo do Comércio Tradicional, que tem umas músicas de Natal tocadas por sininhos à entrada, a tocar ininterruptamente o dia todo? Para o comum trausente será apenas uma música de fundo se passar por lá uma vez. À segunda começa a pensar que se calhar já calavam aquilo. À terceira já levará um alicate no bolso para cortar o fio das colunas. Agora imaginem como será para quem trabalhar nessas lojas... Quando eu era um puto dos seus 13/14 anos tinha em casa uma série luminosa que dava dessas músicas (em tom monofónico) e achava-lhe piada. Mais tarde, fiquei assim! Agora imaginem quem tem que gramar aquilo o dia todo, todos os dias... Os meus pais ainda tinham o bom senso de manter o som daquilo desligado mas, apesar da curta exposição ao som, fiquei assim. Agora, fazer o quê?
Isto poderá levar a que pessoas com empregos estáveis se despeçam, poderá levar lojistas insuspeitos a tornarem-se serial killers temíveis... Fica o aviso.

- a criatura a que chamam de Popota. Sobre a bolofa rosada aspirante com pretensões de estrela porno e que trouxe o Tony Carreira para todos os intervalos da televisão não me vou voltar a pronunciar. Já devem conhecer a minha opinião sobre o bicho...
Apenas tenho a dizer que outrora, chegado o mês de Dezembro (o tal do Natal), os intervalos eram alegremente invadidos por anúncios a bonecada de Power Rangers e Micro Machines, Barbies e Nenucos, Legos e PiniPons. Agora, temos essa Lucy insuflada e digitalizada a cada intervalo...

- o Sozinho em Casa. E quem diz o Sozinho em Casa diz a Música no Coração ou o Sozinho em Casa 2. Tão certo como a SIC passar a madrugada da Passagem de Ano a dar filmes porno (ouvi dizer...) é pelo menos um destes três filmes ser transmitido por um dos quatro canais principais portugueses no dia 24 ou no dia 25. Pode até haver quem diga "é pá, Natal sem Sozinho em Casa já nem é Natal!". Eu digo que é. Acreditem mesmo que é! O mundo continua perfeitamente a rodar sobre os seus eixos se resolverem passar um filme bom em vez do Sozinho em Casa. Ou até outro filme mau! Tanto faz. Livrem-nos é de uma vez por toda desta peste! Se alguém estivesse realmente interessado em ver o Sozinho em Casa tantas vezes já o tinha sacado da net. Conhecem alguém que tenha alguma vez sequer pensado em sacar o Sozinho em Casa da net? Eu também não. À primeira vez até tinha piada, à segunda via-se bem outra vez, à terceira ainda ia... mas acho que na octagésima sexta vez já começa, talvez, a fartar um bocadinho.
Confiem em mim: é possível um Natal sem Sozinho em Casa/Música no Coração. Façam isso. Por um mundo melhor.

- o aquecimento global. Comecei por dizer que detestava o frio nesta altura. Menti. Por acaso ali em cima dava-me jeito dizer isso mas não é verdade. Há três semanas no ano em que tolero e até gosto do frio: são as três últimas semanas de Dezembro. Fora isso, podem ter o termóstato apontado para a temperatura de Copacabana o ano inteiro que não me importo. Estas semanas são boas para andar na rua bem agasalhado e passar o Natal à lareira.
E agora, em qual das duas versões acreditar? Gosto do frio no Natal ou não? Ah, a dúvida! A eterna dúvida! E eu sei a resposta. Mas se a disser agora ninguém acredita em mim. Temos pena.


E, que me lembre, é isto. Se por acaso entretanto me lembrar de mais alguma coisa, eu aviso. Vão passando por cá. Até ao Natal pode ser que me lembre de mais alguma coisa. Ainda tenho tempo. Por agora, é tudo.


Um Natal bem jeitoso para todos.

sábado, 29 de novembro de 2008

Estudos científicos

Os cientistas são gente estranha. Gente estranha e sem muito que fazer. Acontece que, como gente da ciência que são, gostam de inventar. E inventam. Quando não têm que fazer, inventam qualquer coisa para se entreterem.

É neste contexto que todas as semanas (para não dizer todos os dias) somos brindados com "estudos científicos" absolutamente extraordinários. Falo daqueles estudos do género "cientistas alemães descobrem que pessoas com sinais na face esquerda da cara têm maior tendência para tirar cotão do umbigo com a mão direita" ou "uma equipa de investigadores do Texas provam que pessoas que um em cada três trolhas abre as 'minis' com os dentes". Basta ouvir um qualquer Programa da Manhã de uma qualquer rádio com frequência que, no espaço de um mês, ficamos com a nossa cultura científica extremamente enriquecida. Claro que há sempre aqueles cientistas que, nos tempos livres, se dedicam a investigar a cura para o cancro ou a procurar métodos para reduzir o efeito de estufa mas esses não são para aqui chamados. Esses que continuem a trabalhar que estão muito bem. Se descobrirem alguma de relevante apareçam à Queima em Maio que eu pago-lhes uma Bifana ou um Pão com Chouriço.

Voltando ao que eu estava a dizer mais acima, é impressionante a quantidade destes estudos sobre "a maneira mais utilizada para encher alheiras em Mirandela que aparecem". Quase tão impressionante como isso, é a velocidade meteórica com que aparecem e desaparecem. A notícia aparece, dá na rádio ou na televisão, em jeito de curiosidade, no próprio dia em que vem a pública ainda se encontra alguma coisa sobre ela mas... dois ou três dias depois já não se encontram vestígios dela nem nos recantos mais obscuros na net.

É neste contexto que, durante a última semana, me surgiram dois estudos que me interessaram particularmente. Claro que quando vim à procura deles para rever a matéria e os poder partilhar com o mundo já tinham "botado sumiço". Felizmente, eu tenho muito boa memória (diria mesmo, um mimo de memória!) e partilho na mesma o essencial com o resto do mundo (cientistas sem muito que fazer incluídos).

Um desses estudos era sobre o choro. Dizia ele que chorar fazia muito bem à saúde, ajudava a libertar coisas más, incentivava a indústria dos lenços de papel, blá, blá, blá por aí adiante. Contudo, a informação a reter deste estudo, era a seguinte: os homens choram, em média, 7 vezes por ano e as mulheres 47 vezes.

Se estão com o vosso índice chorístico atrasado, aproveitem este momento para chorar um pouco porque o ano está a acabar e no fim há que prestar contas. Eu, só ontem, despachei logo 5 choros à pala de uns gregos. Só que como o Benfica não enfarda 5 todos os dias, fico curioso de onde vem tanto choro. Estive a tentar reunir motivos para se chorar, pelo menos, 7 vezes num ano e assim de repente lembrei-me de "levar com os pés da namorada/mulher", "morte de familiar/amigo", "acidente com o carro", "perder o campeonato", "ser assaltado", "ser despedido". Não consegui chegar às 7 mas algumas destas podem-se repetir e facilmente chegamos às 8 ou 9, se for preciso. Só que um gajo a quem lhe acontece tudo isto num ano não precisa de libertar substâncias nocivas, nem raiva, nem precisa de psicólogos ou abraços. Um gajo a quem lhe aconteça tudo isto num ano precisa de ir à bruxa e depressa!

Ora, isto é média... Ou seja, para que a média dê 7, tem que a gente a precisar de chorar muito mais de 7 vezes num ano. Quem é o desgraçado a quem lhe acontece tanta coisa? Tal criatura merecia, no mínimo, cinco minutos de tempo de antena no programa da Júlia e uma caixa bem grande de Ferrero Rochers pelo Natal.

Por esta altura já há gente por aí a chamar-me de "parvo", "insensível", "bruto", "gajo cruel" entre outros mimos do género e ainda só me dei ao trabalho de analisar o caso dos homens. Por mim, tudo bem, mas eu continuo a ter razão. Passemos então às mulheres.

À primeira vista, 47 vezes pode parecer muita fruta e que vou aqui a falar disto até amanhã. Dá uma média de quase um choro por semana. Só que são 47 vezes causadas apenas e só por dois motivos: por tudo... e por nada! Desde aqueles saldos que já não conseguiram apanhar, passando pelo namorado ter chegado 10 minutos atrasado ao encontro até uma simples dor de cabeça, tudo é motivo para elas chorarem e fazerem disso uma tragédia! Diz o mesmo estudo que alguns desses choros chegam a durar cerca de 60(!) minutos. Quanto a mim, para se conseguir isso, já é preciso mais do que capacidade para arranjar um motivo para chorar no simples acto de descascar uma tangerina: é preciso talento! Muito talento e anos de treino e dedicação. E se a média é 47, nem quero pensar nas que estão acima da média... Verdadeiras fora-de-série!

O mais incrível nestes estudos, são os números. Não só pela dimensão em si (que também consegue impressionar) mas também pelo simples facto de os conseguirem obter. Quem é que conta isto tudo? Anda alguém a seguir esta gente de um lado para o outro (até no quarto) com um contador na mão para ver quantos vezes choram? Eu se tivesse um marmanjo atrás de mim o tempo a contar uma coisa destas também era capaz de chorar por tudo e por nada. Nem que fosse só para ver se o gajo se ia embora: "já chega? Ainda não? Então toma lá mais um...". Quem é, a alminha sem vida, que se dedica a fazer estas contagens? Tem que haver alguém. Senão, tenho que acreditar que há gente por esse mundo fora que anda com um papel no bolso a anotar as vezes que chora:

- Solange, vou-te deixar. Vou-te trocar por outra mais nova.
- Seu cafageste! Espera aí, antes de reagir, tenho só que tomar nota aqui de uma coisa... Só um bocadinho que já armo escândalo.

Não sei qual das duas perspectivas é mais assustadora.

Podia acabar por aqui mas a ciência é pródiga em dar-nos novidades e, como disse mais acima, há dois estudos que mereceram a minha atenção esta semana (podem sempre fazer um pausa e ir beber um copo de água e comer umas bolachinhas que eu espero...................................................... já foram? Podemos continuar? Óptimo, siga adiante).

O outro estudo de que falava, conclui que "empregados que acham que têm um patrão incompetente têm maiores probabilidades de sofrer ataques cardíacos".

Para quem se prepara para entrar no mercado de trabalho dentro de três ou quatro anos, como eu, esta dica tem um valor inestimável. Assim que suspeitar que o meu patrão é incompetente, a primeira coisa que faço é demitir-me. Pela minha saúde! Claro que podia sempre aspirar a substituir o incompetente ou até manipulá-lo mais facilmente mas com a saúde não se brinca e assim ao mínimo sinal de incompetência ponho-me a andar.

Claro que isto também tem o seu lado inconceniente. A partir de agora, empregado que tenha um ataque cardíaco, se conseguir sobreviver, escusa de voltar ao escritório porque nenhum patrão o vai querer de volta. Aliás, até se torna perigoso ter um ataque cardíaco no emprego:

- Ò chefe, chefe!!! O Meireles teve um ataque cardíaco ali à beira da máquina do café! Chame uma ambulância! Depressa!!!
- Ai ele acha que eu sou isso?... (Espera aí que já vês...). Vai ajudar o teu colega que aqui o "incompetente" vai "chamar" a ambulância... (já foste!). Eu trato já disso... Mesmo, mesmo já a seguir...

E mais uma vez a questão mantém-se: quem conta isto?! E porquê? Será que de cada vez que alguém cai no meio do escritório salta um gajo de trás da fotocopiadora a gritar "Pumba! Mais um! Ò sócio, diz-me só uma coisa num instante. Não percas a consciência que isto é importante! Ouve bem: achas o teu chefe competente ou incompetente? Podes justificar?".

Há ainda uma outra hipótese que pode explicar não só os motivos dos estudos, como explica também os números obtidos: é a chamada hipótese "garrafa de absinto". A hipótese "bar aberto" explicava não só os pontos anteriores como explicava o destino dos fundos reservados à investigação. Ainda para mais, se tivermos em conta que estes estudos costumam vir de Universidades... Mas se calhar são só ideias minhas.

Agora, podem dizer que hoje já aprenderam não umas duas coisas novas hoje! E tudo com carimbo científico. Já ganharam o dia. Quem é amigo e ensina coisas giras?


P.S.: já agora, se alguém se quiser dar ao trabalho de procurar estes estudos e partilhar aqui com a gente, sempre ficavam aí para a posterioridade.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Só uma pequena nota...

O novo álbum do João Pedro Pais chama-se "A palma e a mão".

Pelos vistos desta vez o tema não são casais mas sim um sujeito que ficou sozinho.



Fui.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Canções de Natal

No princípio... havia a Leopoldina.

A Leopoldina chegava pela altura do Natal e entrava pelas janelas da canalhada que dormia alegremente e levava-as, qual Peter Pan penugento, não para a Terra do Nunca mas sim para o Mundo Encantado dos Brinquedos.

O Mundo Encantado dos Brinquedos também não era um sítio mau de todo para se estar. Basicamente, havia brinquedagem por todo o lado e não havia escola para ninguém. Era só Micro Machines, Legos, Playmobiles, bonecada dos Power Rangers e afins. Claro que o Mundo Encantado dos Brinquedos podia ser só uma fachada para atrair criancinhas para trabalhar numa fábrica clandestina da Nike para vender mais barato ao Continente mas isto também podem ser devaneios meus.

Voltemos então aos factos. O negócio começou a correr bem e a Leopoldina alargou o franchising a Circos dos Brinquedos, Planetas dos Brinquedos, etc. Este ano ficou-se pela terreola dos brinquedos e parece que organizou uma parada para mostrar as novidades e tudo. Uma coisa em grande. Parece que agora já não precisa de ir buscar as crianças a casa, durante a noite pois, para além de poder ser acusada de rapto, o passa-palavra funcionou e elas aprenderam a ir lá pelo seu próprio pé, com o cartão-de-crédito dos pais no bolso.

Durante muitos anos esta potencial amante do Poupas foi a única mascote de Natal dos supermercados. O Jumbo e o Feira Nova ainda ameaçavam de vez em quando com qualquer criatura cantante mas nada que assustasse. E vivíamos todos felizes assim. Até que há coisa de um ano o Modelo achou que também era giro ter uma mascote natalícia.

Uma decisão destas assusta sempre. Nunca se sabe muito bem o que pode sair dali... Pode sair uma coisa sossegadita e inocente, que se limite a incentivar a petizada a azucrinar a cabeça aos pais para lhes comprar montes de prendas, para eles ficarem cheios de dívidas e depois não poderem pagar os empréstimos e mandar os bancos todos à falência ou então, em vez disso, corremos o risco de se lembrarem de alguma coisa particularmente melga e irritante e melga e chata e melga e... coisas assim. Infelizmente, optaram pela segunda via e criaram uma fofura de uma hipopótama toda sexy com um nome que soa como "compota" e que enche estádios a cantar músicas da Gwen Stefani. Popota, de seu nome.

O Natal passou e a criatura foi-se embora. "Para nunca mais voltar", gostava eu de concluir. Mas não posso. O Natal está aí e trouxe à pendura a Popota. Só que ela não se limitou a voltar. Voltou e sinto o Lado Negro mais forte do que nunca. Ela voltou, com uma música mais chata do que nunca... e trouxe com ela o Tony Carreira! Medo! Muito medo! Que mal fiz eu? É por causa do blog? Se for isso fecha-se já hoje a tasca e ninguém se zanga... Bastava pedir. Não era preciso passar para o domínio da violência.

Adeus, foi um prazes escrever aqui, até qualquer dia...

...não? Afinal não tem nada a ver comigo? Ah, bom. Podemos continuar então.

Ora, temos o Tony Carreira com a Popota, não é? Superado o choque inicial e vistas bem as coisas até é um dueto que faz o seu sentido: afinal de contas, nenhum dos dois canta músicas suas. E como se não lhes bastasse as músicas dos outros este ano resolveram também apropriar-se de cenas famosas de alguns filmes. Acho que agora vou passar a cena da dança do John Travolt com a Uma Thurman no Pulp Fiction com outros olhos... o que não é necessariamente bom.

Tudo isto porquê, afinal? Por um Causa Maior. Dizem eles. E se dizem, quem sou eu para duvidar?
Que causa é essa afinal? Ouvi falar em Cruz Vermelha... Pouco provável, digo eu. A única causa suficientemente nobre neste momento para justificar algum donativo será mesmo uma campanha para calar a Popota e o Tony Carreira. No fundo, fizeram-nos reféns: "vamos melgar aquela gente até que nos paguem uma soma considerável para nos irmos embora caladinhos". E a gente paga, que remédio... Fazemos o que for preciso. Por mim, até se nacionalizava a Popota e punha-se sob gestão da Caixa Geral de Depósitos. Ficava no call center, a trabalhar para os senhores. Não, o call center é má ideia: ainda se punha a cantar quem ligasse para lá... Ficava a arrumar papéis numa secretária. Ou então apanhava uma boleia da Leopoldina e ia para o Mundo Encantado dos Brinquedos. E ficava por lá. A cozer meias... Qualquer coisa.

Fica o pedido: pequenada, vós, que leis isto nos vossos Magalhães, convidem a Tia Popota para umas férias convosco no Mundo Encantado dos Brinquedos... e depois, deixem-na por lá. A tomar chá com a Barbie e o Ken. Ou a arrumar-lhes a casa. Arranjem-se. Mas levem-na...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

De peito feito

A biblioteca da FEUP é um local muito agradável para se estudar. Por muito difícil de acreditar que isso seja, de vez em quando, até eu tenho que me submeter a esse ritual - o de abrir os livros e analisar atenciosamente o seu conteúdo. Só que tudo o que é demais cansa e chega-se aquelas alturas em que se tem que parar e... não fazer nenhum. Ficar a olhar para o tecto é por si só uma actividade bastante aprazível nestas ocasiões. Infelizmente, é daquelas coisas que acabam por cansar rapidamente e surge a necessidade de se encontrar uma alternatica. É nestas alturas que saltam à vista aqueles sofázinhos, com uma data de revistas pousadas numa mesa em frente, que pedem que a gente se sente neles e deixe o tempo passar.
Como eu não sou pessoa que goste de fazer desfeitas - e os sofás até estavam a pedir com jeitinho - lá tive eu que fazer uma avaliação - positiva, diga-se desde já - aos seus índices de conforto.

Sofá com revista à frente pede - sempre com jeitinho - leitura da dita, nem que ela seja a Exame de Julho de 2007. Ora, acontece que, entre as agendas dos gestores das maiores empresas de Portugal e as últimas de há um ano atrás das Bolsas desse mundo, surge uma notícia que despertou o meu interesse particular: era sobre uma empresa de lingerie que tinha sido comprada por um grupo português.

O tema lingerie é, à partida, bastante interessante (sobretudo quando devidamente acompanhado de fotos) embora os negócios ligados ao seu fabrico não o sejam por aí. Contudo, a conversa ganha todo um novo interesse quando se começa a falar de segmentos de mercado de soutiens. Qual é mesmo o interesse disso? Realmente posto assim desta maneira parece extremamente próximo do zero mas devidamente enquadrado num contexto de gestores a comentar segmentos de soutiens como quem fala de segmentos de Renaults Twingos e Audis A8 a coisa torna-se assim... surreal! Por momentos surge a visão de duas amigas a fazer compras para as suas duas amigas e a discutir entre si coisas como "estava inclinada a levar um Monovolume espaçoso mas à última apaixonei-me por este Todo-o-Terreno muito económico que dá para todo o lado!" ou então "quando era solteira andava muitas vezes com um familiar compacto, muito aconchegadinho, ideal para andar na cidade todos os dias mas desde que tive o Zé Vítor que ando com um familiar compacto, mais espaçoso!".
Não encaixa! Segmentos usa-se para carros, telemóveis, computadores... soutiens são azuis, vermelhos, amarelos, pretos, baratos, caros, apertados, confortáveis, sexys e por aí adiante! Senão qualquer dia começam a surgir soutiens híbridos, com motores eléctricos (sabe-se lá para quê!) e computador de bordo. Se bem que se servissem para pôr as mulheres a gastar menos, não fosse má ideia de todo... embora um tanto ao quanto inconcebível.

No entanto, se por esta altura o artigo já começava a soar um bocado estranho, diria que descambou por completo quando começaram a falar de produzir no estrangeiro... mais concretamente, algures em África (Madagásgar, penso eu de que). Dizia o sr. Gestor da empresa que isso os obrigava a um controlo muito rigoroso para evitar problemas como uns que tinham tido recentemente com o tamanho das copas...

Começamos a focar-nos no essencial: começamos por lingerie, aprofundamos para o capítulo soutiens e agora dediquemo-nos às copas (e não, não estou a falar de jogos de cartas - aqui, a conjugação de Copas e Sueca(s) torna-se inevitável). Sim senhor, estou a gostar do rumo que a conversa leva. Virá o "recheio" a seguir? Eu acho que sim, embora tenha vindo de uma forma um pouco... subliminar.
Vejamos: o senhor está preocupado com o tamanho das copas dos soutiens produzidos em África. Terão vindo "um bocadinho" acima dos padrões europeus? Desconfio que sim. Mas então, os moldes, medidas, e por aí adiante não deviam vir já definidos de Portugal? Ou será que andam a tirar medidas in loco? Será que eles tem na fábrica uma espécie de linha de produção onde põe as senhoras em filinha e depois está alguém no fim a tirar medidas uma a uma? Ou será que lhes aplicam uns moldes em plasticina e depois tiram medidas? E onde é que uma pessoa concorre a um emprego desses? Questões que ficam por resolver.

Apesar de tudo, se o problema dos senhores era o tamanho exagerado, eu acho que isso se resolvia bem: trocavam etiquetas! Era isso ou avisavam nas lojas que era capaz de ser melhor levarem o tamanho abaixo. Isso aceita-se. O que não se aceita, é uma coisa que vi recentemente num qualquer noticiário da nossa querida televisão.

O assunto era novamente uma fábrica de lingerie. Tratava-se de uma empresa de sucesso em tempo de crise, que pesquisava, inovava, lançava coisas novas e por aí adiante. Tudo estaria bem não fosse um desses produtos todos XPTO desses senhores ser uns soutiens que aumentavam o tamanho aparente do peito das senhoras em até dois tamanhos acima! Estamos a falar de passar de um 32 A praí para um 34B (as senhoras que façam a devida conversão que agora não me apetece pensar muito). Isto pode ser muito bom para a auto-estima das senhoras, pode fazer muito bem à vista de toda a gente, com consequentes aumentos na moral de quem vê que conduz a óbvias melhorias na produtividade mas, quanto a mim, isto só tem um nome: publicidade enganosa!

Lembram-se de anúncio aos ovos da Páscoa da Kinder que era mais ou menos assim "por fora, os ovos podem parecer todos iguais e apetitosos mas quando se abrem para ver a surpresa... oh! que decepção!". É como abrir uma embalagem de Magnun e ter lá dentro um Super Maxi ou ir ao cinema ver um filme e só passarem um trailer! São coisas que não se fazem a ninguém.

As senhoras que cometeram este pecado façam o favor de se ir confessar já. E por hoje ficamos por aqui que a conversa já vai longa.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Bruxas, flores e pinheiros

O calendário de vez em quando tem uns caprichos engraçados. Não falo do calendário da Liga que também tem as suas manias mas sim do calendário gregoriano, aquele que tem 365 dias e vai de Janeiro a Dezembro. Estão a ver qual é? Óptimo.

Quem se der ao trabalho de dar uma vista de olhos ao dito cujo, vai reparar que, por estes dias, as únicas datas de relevo são o Dia das Bruxas e o Dia de Todos os Santos. Para além disso, logo a seguir temos o Natal. Logo a seguir? Sim, logo a seguir mas já lá vamos.

Sexta-feira passada foi dia 31. O tal Dia das Bruxas. Como todos sabem, o Dia das Bruxas (Halloween, no original) é, tal como a Coca-Cola e o Big Mac, uma ancestral tradição portuguesa. Neste dia decora-se tudo com motivos mórbidos, as pessoas usam máscaras de mortos, esqueletos, monstros e outros que tal, a petizada anda alegremente de porta em porta a pedir uns Kinders Surpresa ou uns Chupa-Chupas docinhos. A gente mais crescida aproveita o pretexto para ir até ao bar ou discoteca mais à mão abanar o capacete. Aliás, esta é a parte boa do Halloween e muito provavelmente o motivo pelo qual se começou a assinalar o dia por cá: é mais um óptimo pretexto para festas e nisso (a arranjar pretexto para festas) somos imbatíveis. É pretextos para festas e para comer. E se possível combinar os dois. Nisso, ainda não apareceram melhores que os portugueses. Quando alguém ouvir dizer que por terras do Tio Sam há um dia para se comer perú assado, aposto que passamos a festejar o Dia de Acção de Graças também. Por mim tudo bem. Para comer e festejar também estou sempre pronto, ou não fosse eu um bom português. Ah, e para falar mal também, ia-me esquecendo dessa. Mas fiquemo-nos pelas festas, por enquanto.
Já agora, acho uma pena o Dia das Bruxas não ser feriado. Eu acho que merecia ser. Ali mesmo juntinho ao 1º de Novembro calhava mesmo bem e tudo. Até se podia fazer ponte o resto da semana. Quem sabe, um dia...

Bem, o pessoal vai para a night, bebe uns canecos e no dia seguinte toca a levantar cedinho para ir visitar cemitérios. O contraste é, no mínimo, engraçado: num dia anda tudo de negro, motivos a lembrar mortos e bruxas por todo o lado e no dia seguinte... santos! Flores, cor e santos. E não são dois, nem três, nem quatro santos: são todos! Vem o batalhão em peso.
Eu acho que quando fizeram o calendário que começaram a distribuir santos pelos dias: "ora, o Sto. António pode ficar com o 13 de Junho; o São Pedro fica com o 29 de Junho; o São João... o São João... deixa ver se arranjámos uma data aqui pelo meio... 24 de Junho! O São João pode ficar com o 24 de Junho para o gajo das sardinhas despachar o stock.". No meu dia de anos até arranjaram vaga para um tal de São Estanislau só que o calendário deles devia estar a ficar sobrelotado e então para resolverem este problema resolveram meter tudo no mesmo dia. Cria-se um dia para eles todos e ponto final. Assunto resolvido. Só que um dia para tanta gente importante merece as suas celebrações e, vai daí, resolveram criar competições de arranjos florais nos cemitérios. Claro que quem vela pelos seus mortos gosta de lhe levar umas flores e manter a capa limpa regularmente e particularmente em ocasiões importantes como aniversários. Depois temos o Dia de Todos os Santos onde as pessoas gostam de mostrar que "a minha campa é melhor e mais bonita que a tua" e fazem questão que toda a gente veja isso. Já agora aproveitam a ocasião para falar das campas dos vizinhos (lembram-se do que dizia há bocado sempre sermos os maiores a falar mal dos outros?). Eu acho que para quem não esteja habituado a todo este festival que esta competição pode parecer, no mínimo, mórbida. Para nós já é tão normal que nem lígamos. Por mim estava tudo óptimo se não me estacionassem o carro em frente ao portão de casa. Todos os anos é isto! Será que pensam que por morar ao lado de um cemitério que já estou morto e que por isso não preciso do portão para sair de casa? Este ano um desses artistas levou um autógrafo da Polícia Municipal para casa como recordação. Temos pena. Aposto que para o ano arranja outro sítio onde estacionar.
Já agora, deixo uma pequena sugestão: quando eu morrer, não me levem flores, levem sementes e plantem na terra em volta da minha campa. Sempre gostava de saber se eu dava bom adubo ou não. Adiante.

Falta falar da última festividade da época e que juntamente com o Dia das Bruxas e o Dia de Todos os Santos forma um triunvirato de luxo: o Natal.

Eu sei que ainda faltam quase dois meses para o Natal. É mais tempo do que aquele que eu costumo de ter de férias grandes (recurso oblige...). Mas pelos vistos devo ser a única pessoa a saber disso. Já na última semana de Outubro se começavam a ver umas tímidas decorações nas lojas e uns anúncios na TV. Nas cidades começavam a montar as iluminações de rua.
Contudo, desde que Novembro começou, os anúncios surgiram em força e as decorações já ocupam montras inteiras. Porquê? Porque alguém olhou para o calendário e disse "ei pessoal! O Natal é já para o mês que vem!". E o pessoal acreditou. Esqueceram-se foi de dizer que era para o mês que vem... mas quase no fim do mês. Mas está bem. Já sabem que se a ideia é celebrar, contem comigo. 'Bora para Sta. Catarina comer umas castanhas e ver as iluminações das ruas. Pena é que o Halloween já tenha passado. O efeito de ver montras com bonequinhos de neve, Pais Natal e estrelas todas cintilantes num canto da montra e abóboras com sorrisos maléficos, caveiras e bruxas no outro canto da montra é algo de memorável e que devia durar mais tempo. Só por isto, já valia a pena adiar o Dia das Bruxas uns quinze dias ou então antecipar o Natal.

Como compensação, e já que o Natal entra sem pedir licença pela época do Dia das Bruxas e Todos os Santos, este ano a criançada podia andar a bater de porta em porta, na manhã de Natal, a perguntar "Doçura ou Travessura?" e em vez do tradicional pinheiro punha-se no seu lugar uma enorme jarra de flores. Os pinheiros podia-se pôr nas sepulturas. E o Pai Natal ia abanar o capacete para a Vogue no Halloween.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Será macumba?

Pois é, a minha semana de férias acabou. Sim, férias, a meio do semestre. Não, não vim suspenso uma semana para casa. Foram férias mesmo. Acontece que os srs. Engenheiros aqui da invicta acharam que um semestre inteiro sem qualquer interrupção era de mais. No segundo semestre temos a Semana Académica que nos dá um intervalo que vem mesmo a calhar. Alguém extremamente perspicaz olhou para o calendário e pensou que fazia falta qualquer coisa do género no primeiro semestre. E se bem o pensou, melhor o fez e vai daí criaram a Semana de Engenharia.
Tal como na Segunda Académica, a duração da interrupção só peca por escassa. Convinha haver uma Semana de Recuperação para que a gente possa tranquilamente preparar-se para o sempre difícil regresso ao labor.

Infelizmente, alguém achou que eu devia aproveitar a semana para descansar e arranjaram-me uma virose que me manteve doente a semana toda. De certeza que fui macumba. Estive prestes a entrar em coma! Estive mais para lá do que para cá! Estive nas últimas! Vá, se calhar não. Posso ter tido apenas um pouco de febre, umas dores de barriga, umas dores de cabeça, enjoos frequentes e mais umas gosmas do género que se foram arrastando a semana toda. Se calhar "estado terminal" não será bem o termo correcto. Mas mesmo é caso para terem pena. Muita pena. Espero que, por esta altura, quem estiver a ler isto tenha pelo menos uma lágrima no canto do olho. Eu acho que o que me aconteceu faria chorar as pedras da calçada. Não sejam incentivos e quando me virem ofereçam-me um copo ou paguem-me o lanche. Ou o almoço, se preferirem. Deixo ao vosso critério.
Ah, ia-me esquecendo! No sábado acordei prestes a esvair-me em sangue pelo nariz. Já viram a minha sorte? E quem diz pagar o almoço, diz pagar o jantar ou mesmo oferecer um bonito presente. Tudo contra o mau-olhado.

Nesta altura, o comovido(a) leitor(a) dirá para consigo "então é por isso que não tens vindo aqui escrever nada ultimamente..." ao que eu responderei "o comovido(a) leitor(a) será certamente muito boa pessoa e eu gosto muito de karting mas apesar do meu estado crítico, estava em condições de vir aqui postar sempre que me apetecesse". Porque é que não tenho postado nada? Porque pura e simplesmente não me tem apetecido. Em vez disso prefiro deliciar-me a ver a Naval e o Leixões jogar futebol.

Contudo, é caso para júbilo pois se está a ler isto é sinal que eu resolvi passar por cá e não me limitei a vir cá para limpar o pó (até porque sou da opinião que o pó dá um certo ar rústico aos móveis que tão bem lhes fica). Se eu vim cá é porque certamente está um texto novinho em folha, pronto a ser publicado e obviamente não me refiro a este conjunto de letras mas sim a algo muito mais... algo.

Ora, se o texto está escrito e pronto a ser publicado eu podia muito bem fazê-lo agora mesmo mas... adivinharam: não o vou fazer. Porquê? Embirração pura. Não me apetece e pronto.

Se querem algo de verdadeiramente interessante, então estão no sítio errado. Se querem simplesmente ler alguma coisa, passem por cá daqui a dois ou três dias. Pode ser que já me tenha apetecido publicá-lo. Até lá, podem passar o tempo indo até à Casa do Benfica mais próxima e comprar um bonito par (ou mais até) de bilhetes para o jogo com o Galatasaray na quinta e oferecer-me um deles... e eu que estive tão doente!

sábado, 18 de outubro de 2008

Para miúdos e graúdos

Não é novidade para ninguém para a nossa amiga das fadinhas e das árvores que falam tem um novo programa desde há uma meia-dúzia de semanas atrás. Confesso que só de saber que a nossa amiga insuflada ia voltar a cantar e dançar "num ecrã perto de si" me deixava a rebentar de felicidade. Infelizmente, as coisas nem sempre correm como a gente gostava e por qualquer motivo obscuro, eventualmente a roçar o limiar da conspiração, resolveram por a boa da Lucy a horas impróprias em que todo e qualquer cidadão honesto e trabalhador se encontra a dormir o sono dos justos - ou seja, em plena manhã, aos fins-de-semana.

Confesso que tenho andado à espera de uma oportunidade de ver o programa da melhor amiga da Sininho antes de vir para aqui mandar bitaites (ou acham que eu deixava deliberadamente passar em branco um novo programa da Floribela?) mas tão cruéis obstáculos tem-me impedido de prestar devidamente, qual Capitão Moura, a minha justa, honesta e imparcial avaliação do novo programa da Amiga Lu. Felizmente, alguém pensou nos pobres e nos que dormem e criou o Youtube.

Pus então então mãos à obra e fui pesquisar e o que é que o Youtube me mostrou? Mostrou-me muita coisa interessante e mostrou-me também uma apresentação e a abertura do Programa da Lucy. Abro o vídeo (e recomendo vivamente a quem não estiver na posse de plenas faculdades mentais que faça o mesmo) e saltam imediatamente duas coisas à vista... aliás, saltam mais duas coisas, para além desse belo par plastificado, à vista: primeiro, que a menina tem tanto jeitinho para apresentar programas como eu; segundo, que a crise já chegou à televisão e o orçamento disponível não chegou para acabar de fazer a roupa da menina. Lá teve a pobre coitada que subir ao palco só com uns panitos a tapá-la e uma vasta superfície carnal à vista. Não admira que a desgraçada estivesse pouco à vontade a falar para a pequenada, sobretudo se tivermos em conta que esta juventude de hoje está repleta de autênticos predadores, um gang de Zézés Camarinhas em potência - e agora com os Magalhães até podem começar a ver porno logo a partir dos 6 anos. Pessoalmente acho muito bem, sempre ouvi dizer que é de pequnino que se torce o pepino...

Voltando à Lucy e às suas inseparáveis amigas insufláveis, há ainda outra hipótese perfeitamente plausível a justificar a ausência de tecido na personagem: como todos sabem, quando ela entrou para a SIC tinha umas medidas. Uns tempos depois, como que por artes mágicas (terá sido mão das fadinhas?) ganhou outras, consideravelmente mais avantajadas. Ora, certamente a senhora da costura não foi devidamente notificada das novas medidas e encomendou o tecido contava ter que vestir a Cameron Diaz e saiu-lhe a Pamela Anderson. Claro que o tecido não dava para tudo, e alguma coisa teve que ficar ao sabor do vento... São coisas que acontecem, qualquer um está sujeito.

Felizmente, os senhores da SIC são gente que percebem da coisa e estão habituados a improvisar - por isso é que eles trabalham lá. Vai daí, rapidamente adaptaram o programa a um novo público-alvo e conseguiram fazer daquilo que parecia ser um contratempo numa mais-valia e pois rapidamente o Programa da Lucy se tornou atractivo para miúdos e graúdos. Mais do que um sucesso de audiências, o Programa da Lucy é um modelo e um exemplo para toda a sociedade portuguesa ao ter o mérito de conseguir juntar pais e filhos em horas e horas de convívio pela manhã. Agora, tornou-se normal ouvir nos lares desse país diálogos do género:

"- Pedro Miguel, não queres vir para a sala com o Papá ver os Pokémons?
- Ah, mas agora estou a jogar Call of Duty!
- Deixa lá, que se vieres agora ver o programa comigo, quando fizeres 8 anos dou-te o novo GTA!
- Boa! Bora lá!
- Que alegria! Vamos passar a manhã divertidos a ver um bom par de... desenhos animados!"

E lá vão eles todos contentes... Até me emociono só de pensar em tudo o que Lucyzinha faz pela união das famílias de todo o Portugal e Região Autónoma das Berlengas...

Certamente que depois de todo este brilhante (mais um!) raciocínio que haverá quem se interrogue porque é, apesar de todos estes méritos, eu continuo semana após semana a não madrugar aos Sábados e Domingos para ver a nossa amiga Lucy. A pergunta é perfeitamente legítima e a resposta imediata: primeiro, não tenho filhos para verem os Pokémons comigo (eu sei que podia ver os Pokémons sozinho mas não me tem apetecido. Acho que ver um combate do Pikachu sem ter alguém a meu lado para partilhar a ternura do momento é como ir ao cinema ver um filme baseado num livro do Nicholas Sparks com um bando de amigos jabardos sem a vantagem de se poder cortar o clima só para chatear); segundo, e o mais importante, é que se tivesse que acordar cedo ao Domingo para ir almoçar a um bom restaurante com boa comida, certamente que iria. Mas se tivesse que acordar de manhã para ir almoçar a um qualquer McDonald's comer comida de plástico bem que ficava a dormir como sempre.